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Caixa-preta de Legacy revela que torre errou
02/11/2006
ELIANE CANTANHÊDE
Colunista da Folha de S.Paulo
A torre de controle
de vôos de São José dos Campos (SP) autorizou os pilotos do Legacy, Joe
Lepore e Jan Paladino, a voar na altitude de 37 mil pés até o aeroporto
Eduardo Gomes, em Manaus, apesar de essa altitude ter se tornado
"contramão" na rota após Brasília - e onde estava o Boeing-737 da Gol
atingido e derrubado no choque com o jato da Embraer.
Esse foi o primeiro de
uma sucessão de erros que geraram o choque, em 29 de setembro, matando
154 pessoas. Depois disso, houve falha na comunicação entre o Legacy e o
Cindacta-1 (centro de controle do tráfego aéreo de Brasília), o
transponder (que alertaria o sistema anti-colisão do Boeing) não estava
funcionando no Legacy e o avião da Gol não foi alertado para o risco.
O plano de vôo original
do Legacy previa três altitudes: 37 mil pés entre São José dos Campos e
Brasília, passando para 36 mil pés a partir da capital e para 38 mil pés
a partir do ponto Teres da carta aeronáutica (a 480 km de Brasília, em
Mato Grosso) até Manaus. O Legacy, porém, voou todo o tempo em 37 mil
pés.
Pela caixa-preta do
Legacy, que está sob a responsabilidade do Cenipa (Centro Nacional de
Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o controlador da
torre de São José dos Campos se comunicou em inglês com os americanos
Lepore e Paladino durante o procedimento de "clearence" - ou seja, de
autorização para a decolagem.
Nesse diálogo, gravado,
Lepore pede para decolar, a torre autoriza e diz, claramente, que ele
deve subir para 37 mil pés "até o aeroporto Eduardo Gomes", de Manaus,
contrariando o que especificava o plano de vôo - em poder dos pilotos e
das autoridades aeronáuticas.
A versão obtida pela
Folha confirma o que dizem os advogados dos pilotos, o brasileiro Theo
Dias e o americano Robert Torricelli, de que eles teriam autorização
para voar em 37 mil pés, apesar de ser "contramão" no rumo
Brasília-Manaus.
Nos registros do
Cindacta-1, o último contato do Legacy foi quando a aeronave estava a 52
milhas - ou a cerca de sete minutos - de Brasília, para um procedimento
comum: os pilotos comunicaram ao centro de controle que tinham
atingido a altitude de 37 mil pés.
O piloto Lepore deu o
registro do avião, Legacy N600XL, avisou que estava no nível 370, que
corresponde a 37 mil pés, e desejou "boa tarde" em inglês.
O controlador de
plantão respondeu, pediu que o piloto apertasse o botão de identificação
do vôo e desejou boa viagem. O botão a que se referia é do
transponder - que não funcionou. Os pilotos confirmam que o acionaram
para registrar a identificação do vôo, mas o Cindacta-1 diz que o
equipamento não estava funcionando a partir de Brasília e que os
controladores tentaram várias vezes, sem sucesso, alertar a tripulação.
Os pilotos reagem dizendo que também tentaram, sem sucesso, se comunicar
com o Cindacta-1 quando sobrevoaram Brasília. Sem esse contato,
decidiram seguir a orientação original, segundo seus advogados e
representantes da empresa ExcelAire que conversaram com a Folha.
Segundo a Aeronáutica,
um dos erros dos pilotos americanos foi não acionar o código 7600 no
transponder, registrando a perda de comunicação. O aparelho ficou fora
do ar até cerca de dois minutos depois do choque com o Boeing, na área
de Mato Grosso, quando voltou a funcionar já com o código 7700, de
emergência.
Já segundo os advogados
dos pilotos e os representantes da empresa americana,
o Cindacta-1 também errou,
ao perceber que havia algo errado com o vôo e não alertar imediatamente
o Boeing que vinha em sentido contrário e na mesma altitude. A alegação
do Cindacta-1, encampada pela Aeronáutica, é de que o centro não
identificou com precisão que o Legacy estava na altitude de 37 mil pés,
o que só poderia ser feito caso o transponder estivesse funcionando.
Sem ele, a altitude é conferida no radar pelo equipamento primário de
segurança, que é impreciso. Nesse caso, há uma variação no radar que
pode chegar até a 1.500 pés.
Tudo somado, há uma
sucessão de erros. O original deles foi a autorização da torre de São
José dos Campos para o vôo se realizar em 37 mil pés, mas isso
poderia ter sido corrigido com a comunicação entre o avião e o Cindacta-1,
pelo transponder e o sistema anti-colisão e, finalmente, pela
determinação de que o Boeing desviasse, ou para cima ou lateralmente,
como determinam as normas internacionais e nacionais de segurança de
vôo.
Comentando:
Resta mais uma
vez comprovada a falta de credibilidade das "Notas Oficiais"
distribuídas pelas autoridades brasileiras, assim como se deu no caso do
acidente com o Fokker 100 da TAM, em 1996.
Desde o início
surpreendeu a pressa do Ministério da Defesa em atribuir culpa aos
pilotos americanos sem provas conclusivas. Como sempre, o Brasil "não
comete falhas", "o controle aéreo brasileiro é um dos melhores do
mundo", etc, etc.
Num país em que
apenas entre os anos de 1994 e 2005 ocorreram 872 acidentes aéreos na
aviação civil fica impossível crer nos informes divulgados pelas
autoridades ditas competentes.
Lamentável,
também, a postura de parte da mídia que encampou a versão "oficial" como
definitiva.
Na questão das
indenizações devem ser apontados como réus: a GOL, que foi a prestadora
do serviço e o Governo Federal (responsável pelo CINDACTA, Ministério da
Aeronáutica e Ministério da Defesa). |
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Delegado diz que FAB nega acesso à degravação da caixa-preta de Boeing
01/11/2006
O delegado da Polícia
Federal Renato Sayão, responsável pelas investigações sobre o acidente
entre o jato Legacy e o vôo 1907 da Gol, disse nesta quarta-feira que as
apurações estão emperradas porque a polícia não consegue ter acesso à
degravação da caixa preta que está com a Aeronáutica e que registrou a
conversa entre os pilotos.
"Esse inquérito
realmente está difícil de ir para a frente porque nós precisamos de
informações que estão quase todas com a Aeronáutica. Sem a caixa preta,
as investigações não avançam."
O Legacy colidiu com o
Boeing no dia 29 de setembro, na região de Mato Grosso, divisa com o
Pará. Foi o maior acidente aéreo do país e resultou na morte dos 154
ocupantes do avião da Gol.
O delegado também
apontou outros dois fatores que atrasam as investigações. Ele ainda não
conseguiu ouvir o depoimento dos controladores de vôo de Brasília-DF e o
STJ (Superior Tribunal de Justiça) ainda não decidiu se a
responsabilidades pelas investigações são da Justiça Federal ou da
Estadual.
A Aeronáutica se baseia
em uma legislação internacional para alegar que o material será entregue
somente após a conclusão de sua própria apuração. A Aeronáutica
informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as informações
contidas na caixa preta do Boeing ainda estão sendo decodificadas e
analisadas, e que não há prazo para que o material fique pronto.
"Eles não têm prazo.
Não há prazo na lei que diz que eles têm que concluir isso. Pode demorar
30 dias, seis meses. Pode demorar muito tempo", disse o delegado,
durante entrevista na sede da PF de Cuiabá-MT.
A PF pedirá até a
próxima segunda-feira a prorrogação por mais 60 dias ou 90 dias para
concluir o inquérito.
Sayão disse possuir
tudo que ocorreu no espaço aéreo no dia do acidente, como um mapa dos
trajetos e as gravações das conversas dos controladores de vôos com as
aeronaves e entre os centros de controle entre si.
"As gravações [dos
controladores] ainda não levam à conclusão nenhuma. Preciso de outro
dado fundamental, que é a comunicação dos pilotos com o centro de
controle e as gravações de dentro da cabine."
A PF também viu ontem
frustrada sua tentativa de ouvir os controladores como testemunhas no
caso. Apresentaram atestados médicos emitidos por um psiquiatra da FAB
(Força Aérea Brasileira), que concede licença total a eles por 15 dias,
sob a alegação de que sofreram um estresse pós-traumático.
O delegado tentará
ouvir os controladores dia 16 ou 17 de novembro, em Brasília. Para Sayão,
os controladores são considerados testemunhas no inquérito da PF, pois
são militares e, portanto, devem ser investigados pela Justiça Militar.
da Agência Folha |
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FAB
impede PF de ouvir controladores sobre vôo 1907 até dia 13
31/10/2006
Os depoimentos dos
controladores de tráfego aéreo, como parte das investigações sobre a
queda do avião da Gol, não poderão ocorrer ao menos até o próximo dia 13
de novembro. O delegado da PF (Polícia Federal) Renato Sayão quer ouvir
os profissionais pois eles trabalhavam na central de Brasília no momento
em que o Boeing caiu em uma região de mata fechada em Mato Grosso, no
dia 29 de setembro. Os 154 ocupantes do avião morreram.
Os depoimentos deveriam
ter ocorrido segunda-feira (30). Sayão não pode convocar os
controladores nos próximos 14 dias devido ao prazo de resguardo
estipulado nos atestados médicos que eles apresentaram para justificar
sua ausência àquela que deveria ter sido a primeira rodada de
depoimentos. Os documentos foram assinados por médicos da própria FAB
(Força Aérea Brasileira), e afirmam que todos os profissionais
convocados estão sob tratamento psiquiátrico.
O grupo - composto por
oito controladores e dois supervisores - foi afastado de suas funções
dias após o acidente, considerado o maior da história do Brasil.
A Folha Online tenta
entrar em contato com os defensores dos controladores desde o
afastamento deles, mas nunca obteve resposta.
Acidente
O avião da Gol caiu com
154 pessoas a bordo depois de colidir com um jato Legacy. O Boeing havia
saído de Manaus e faria uma escala em Brasília antes de seguir para o
Rio. Todos os ocupantes do Boeing morreram. O Legacy, da empresa
norte-americana ExcelAire, conseguiu pousar na base aérea da serra do
Cachimbo, apesar de danos na asa. Nenhum dos sete ocupantes - seis deles
americanos - ficou ferido.
Militares ainda
trabalham no local em que a aeronave caiu para tentar localizar os
restos mortais de Marcelo Paixão.
O acidente é
investigado por uma comissão de autoridades brasileiras e estrangeiras
do setor; pela Polícia Civil de Mato Grosso e pela PF. A Justiça deverá
decidir a quem cabe a apuração.
Sayão tem enfrentado
problemas para ter acesso às mesmas informações dadas à comissão. Nos
próximos dias, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) deverá decidir, por
exemplo, se ele pode receber os resultados das análises das
caixas-pretas do Boeing e do Legacy. O acesso do delegado da PF às
gravações foi negado pela Aeronáutica.
da Folha Online
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Um mês
após queda de Boeing, parentes de vítimas cobram respostas
28/10/2006
A queda do Boeing da
Gol em Mato Grosso completa um mês no domingo (29) e parentes das
vítimas ainda cobram respostas sobre o acidente - o maior do país. Os
154 ocupantes do avião morreram.
Em nota assinada por
nove integrantes da Comissão de Familiares dos Passageiros do Vôo 1907,
eles apresentam um balanço do período e afirmam que se preparam para
oficializar uma associação, criada para representar as famílias
interessadas. Com a união, a associação pretende acompanhar os trabalhos
de investigação e dos advogados, além de recuperar os pertences das
vítimas, ainda no local da queda - uma área de mata fechada.
Assim como a PF
(Polícia Federal), que investiga o acidente, os familiares dos mortos
querem ter acesso aos dados da caixa-preta do Boeing. A Aeronáutica,
citando normas internacionais, negou o acesso da PF às informações. O
delegado Renato Sayão apresentou um pedido à Justiça Federal, que passou
a análise para competência do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
"O maior acidente aéreo
da história da aviação brasileira com fatalidade de 154 pessoas continua
sem resposta. As famílias ainda esperam por resultados que as leve a
entender o que aconteceu", diz um trecho da nota.
Os parentes das vítimas
afirmam, ainda, que procuraram a Procuradoria Regional dos Direitos do
Cidadão, "solicitando que haja um acompanhamento dos trabalhos de
investigação das causas do acidente, garantindo transparência a acesso
aos resultados imediatamente ao término dos trabalhos", além da quebra
do sigilo dos dados da caixa-preta.
Dor
Ao relatar as ações ao
longo deste mês, os familiares reclamaram de "descaso das autoridades",
especialmente nas primeiras horas depois do acidente, e falam sobre o
sofrimento de ficar horas sem informações oficiais. Afirmam que o
"desespero era tão grande" que queriam participar do resgate, embora
soubesse que "não era possível e nem produtivo".
"Só quem vivenciou as
primeiras horas de desespero nos aeroportos e nos seus lares, onde
recebiam informações desencontradas, e que choravam e gritavam para
serem ouvidas, vão se lembrar destes momentos para o resto de suas
vidas", diz a nota.
da Folha Online
Com LÍVIA MARRA, editora
de Cotidiano da Folha Online
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Aeronáutica nega acesso da PF a caixas-pretas de aviões
24/10/2006
O Cenipa (Centro de
Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) negou à PF (Polícia
Federal) acesso aos conteúdos das caixas-pretas do Boeing da Gol e do
jato Legacy, envolvidos no acidente ocorrido dia 29 do mês passado. O
Boeing caiu em uma área de mata fechada em Mato Grosso, causando a morte
dos 154 ocupantes.
Para justificar a
decisão, o ministro da Defesa, Waldir Pires, citou a Convenção de
Chicago, que rege a aviação internacional. Ele defende o sigilo para que
as informações não sejam usadas em processos que tenham como objetivo
punir envolvidos em acidentes aéreos. O objetivo do Cenipa é investigar
as causas para evitar a ocorrência de novos acidentes.
O delegado Renato Sayão,
que investiga o acidente pela PF, pediu à Justiça Federal que determine
à Aeronáutica o envio dos dados.
Nesta terça-feira,
Sayão recebeu as transcrições dos contatos das torres de controle de
Brasília, de Manaus e de São José dos Campos, com conversas de todas as
aeronaves que voavam no momento do acidente. Recebeu também fotos das
telas de radares e os nomes de 17 pessoas - entre controladores de
tráfego aéreo e supervisores - que trabalharam no dia do acidente - dez
deles são de Brasília, quatro de Manaus e três de São José dos Campos.
Todos serão intimados a depor - data e local não foram confirmados.
da Folha Online |
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Embraer
diz que Legacy operava normalmente antes de ser entregue a cliente
20/10/2006
da Folha Online
O jato Legacy que se
envolveu no acidente com o Boeing da Gol funcionava normalmente e passou
por sete testes - sendo três vôos de aceitação - antes de ser entregue à
empresa de táxi aéreo americana ExcelAire. A afirmação é de Sérgio Mauro
Costa, diretor do Departamento de Ensaios da Embraer - fabricante do
jato.
O Legacy teria colidido
com o Boeing, provocando a queda do avião da Gol, no dia 29 do mês
passado. Foi o maior acidente aéreo do país, que resultou na morte dos
154 ocupantes do Boeing.'
Costa foi ouvido pelo
delegado da PF (Polícia Federal) Renato Sayão, de Cuiabá, que está em
Brasília para colher informações sobre o acidente. O depoimento durou
aproximadamente uma hora e meia. O delegado queria informações sobre a
revisão dos equipamentos do Legacy e a elaboração do plano de vôo da
aeronave.
Segundo a assessoria de
imprensa da PF, o representante da Embraer afirmou que não houve
qualquer falha durante os testes, e equipamentos como o transponder,
TCAS - o sistema anticolisão - e o sistema de radiocomunicação
funcionaram normalmente.
A PF disse que a
Embraer ainda não apresentou documentação que comprove a realização dos
testes com o Legacy, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Plano
de vôo
Costa afirmou que o
plano de vôo do Legacy foi elaborado por uma empresa contratada pela
Embraer. Foi passado eletronicamente para a torre de controle em São
José dos Campos, de onde o avião decolou, e para a própria Embraer, que
o entregou aos pilotos.
Para elaborar o plano
de vôo, a empresa usa um programa de computador que analisa as condições
climáticas, as características da aeronave e as normas aplicáveis à
navegação aérea, de acordo com a Agência Brasil.
Colisão
Na quinta-feira (19), o
ministro da Defesa, Waldir Pires, sugeriu que a colisão pode ter
danificado a asa direita e parte da cauda da aeronave que fazia o vôo
1907. "Provavelmente o choque tenha sido na cauda, pela natureza da
queda. O Boeing perdeu a estabilidade e desceu numa espiral e velocidade
absoluta", disse.
O transponder do Legacy
não funcionava no momento do choque, confirmaram as análises das
caixas-pretas. O equipamento envia os dados relativos ao avião para
outras aeronaves e para o centro de controle de tráfego aéreo, podendo
evitar acidentes. "Ainda não conseguimos saber se o equipamento do jato
foi desligado, se houve uma pane, se havia algum defeito ou alguma
desconexão", disse o ministro.
Como parte das
investigações conduzidas pela PF, o delegado Sayão já esteve no Cindacta
(Centro Integrado de Defesa e Controle de Tráfego Aéreo) onde assistiu à
reconstituição das telas dos radares de Manaus, Brasília e São José dos
Campos no dia do acidente, teve acesso a transcrição do contato da torre
de Brasília com o Legacy e conheceu os equipamentos do controle de
tráfego aéreo. Sayão não pôde, no entanto, levar os documentos para
análise. Para que tenha cópia dos papeis é preciso autorização do
Ministério da Defesa. |
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Legacy
fez contato com controle
Aeronáutica admite que
diálogo pode ter induzido americano a erro; operadores devem depor
17/10/2006
Vannildo Mendes, Tânia
Monteiro, BRASÍLIA
Ao contrário do que
afirmaram por meio do seu advogado, José Carlos Dias, os pilotos do
Legacy que colidiu com o Boeing da Gol, no dia 29, conseguiram se
comunicar com os controladores de vôo do Cindacta-1 (Brasília) quatro
minutos antes do ponto em que deveriam mudar de altitude. No diálogo,
o comandante do Legacy, Joe Lepore, pergunta à torre, em inglês:
- Confirme se posso
descer ou se mantenho a altitude.
Como restavam 30 milhas
(55 quilômetros) até o ponto em que o Legacy deveria, obrigatoriamente,
baixar de 37 mil para 36 mil pés, a resposta do controlador de vôo
foi:
- Ok. Mantenha.
O maior acidente aéreo
da história do País, que deixou 154 mortos, só ocorreu porque o Legacy
voava na contramão de sua aerovia.
Pelo plano de vôo, ele
deveria seguir de São José dos Campos a Brasília a 37 mil pés.
A partir daí, teria de descer a 36 mil pés, mudando de aerovia.
Já em Teres, ponto virtual de orientação a 300 km do local da colisão, o
Legacy deveria ter subido para 38 mil pés.
Peritos da
Aeronáutica já admitem a hipótese de ter havido mal-entendido na
comunicação com o americano, mas não consideram esse o fator crucial
para explicar a colisão. 'Ele (Lepore) pode até ter entendido isso como
uma autorização para voar a 37 mil pés em todo o trajeto, mas não é o
que constava no plano de vôo', disse um oficial da Força Aérea
Brasileira (FAB). 'Podemos dizer que 98% da culpa é do jato e 2%, do
controle de tráfego aéreo.'
O mesmo oficial
esclareceu que, numa situação normal, a mudança de mil pés (300 metros)
do nível de altitude é feita em 30 segundos. 'Naquele instante, não
havia motivo para o controlador falar em mudança de altitude, pois é
padrão que ela ocorra apenas sobre Brasília', disse o militar.
Uma cópia do diálogo
foi encaminhada pela Aeronáutica ao delegado Renato Sayão, da Polícia
Federal. Os oito controladores que trabalhavam no dia do acidente -
afastados desde então - devem ser os primeiros a prestar depoimento.
Quatro deles tiveram participação direta no monitoramento do jato, como
o servidor que manteve o contato com o Legacy e seu supervisor.
A PF já apurou que os
pilotos do jato não fizeram o briefing antes da decolagem em São José.
Embora não seja obrigatório, o procedimento ajuda o piloto a conhecer a
rota e informa as condições meteorológicas. Procurado, o advogado Dias
não respondeu aos pedidos de entrevista.
Em Mato Grosso,
militares continuam em busca dos últimos dois corpos desaparecidos - que
também são os únicos ainda não identificados. Ontem, o Instituto
Médico-Legal do Distrito Federal identificou mais 3 vítimas, elevando o
total para 152.
'HISTERIA'
O blog do jornalista
americano Joe Sharkey, passageiro do Legacy, voltou ao ar ontem. Sharkey
disse que suspendeu o acesso ao blog por dois dias para não 'alimentar a
histeria política no Brasil' sobre o acidente. Disse ainda que,
'finalmente, perguntas duras estão sendo feitas no Brasil sobre controle
de tráfego, colocadas por mim desde o primeiro dia'.
* COLABOROU LAURA DINIZ,
ENVIADA ESPECIAL
Fonte: O Estado de
S.Paulo
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Advogados disputam famílias de vítimas
08/10/2006
LAURA CAPRIGLIONE
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília
"Pessoal, muito prazer.
Eu nunca vi este indivíduo antes." A reunião da empresária Sandra Assali,
50, com os familiares de vítimas do vôo 1907, na última quinta-feira em
um hotel de Brasília, começou tensa.
O indivíduo apontado
era um advogado. Com seu laptop, ele fazia uma apresentação em
powerpoint para as famílias e dizia estar recebendo mensagens de um
escritório sediado em Londres. Seriam instruções sobre as ações
indenizatórias cabíveis no caso do acidente da Gol. "Foi uma péssima
surpresa entrar na reunião e esse advogado vir atrás e se sentar ao meu
lado, como se estivesse comigo", diz Assali.
"Acidente aéreo você
não perde. É inquestionável", afirma Assali, presidente da Abrapavaa,
Associação Brasileira de Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes
Aéreos, e viúva de José Rahal Abu Assali, médico cardiologista morto aos
45 anos no acidente de 1996 com o Fokker 100 da TAM, que aconteceu em
São Paulo.
No caso do acidente da
TAM, as batalhas jurídicas resultaram em indenizações que giraram entre
US$ 500 mil e US$ 1,5 milhão para cada uma das famílias de 99 vítimas
(de R$ 1,1 milhão a R$ 3,3 milhões). "É por isso que tantos advogados
inescrupulosos crescem os olhos", diz Assali.
"Você encontra uma
porção de advogados querendo enriquecer à custa da tragédia da gente.
Antes de vir a esta reunião, eu mesma recebi telefonemas de uns 30
escritórios, querendo me acompanhar. Desautorizei-os todos." Camilo
Moisés Barros, que perdeu o irmão de 39 anos em 2004 em um acidente com
aeronave da empresa Rico, contou ter visto famílias que tiveram de
destituir o advogado "por falta de sensibilidade".
"Tivemos problemas
seriíssimos com isso. Teve advogado que se recusou a assinar os acordos
com as famílias, porque cismava que elas poderiam ganhar mais. E as
famílias querendo o acordo. Aconteceu até o caso em que a parente estava
com câncer, precisando da indenização, e o acordo não saía porque o
advogado não queria."
Muitas dúvidas
Na quinta-feira, as
famílias que a Gol alojou no hotel Comfort Suites ainda reclamavam mais
rapidez nos trabalhos de remoção e identificação das vítimas do vôo 1907
(até então, nenhum corpo havia sido identificado), mas a reunião com
Sandra Assali começou pontualmente às 19h e só se encerrou às 22h, com a
promessa de continuidade no dia seguinte, logo pela manhã. "Que bom que
você veio", agradeceu Bruno Maciel Marinho Silva, 24, que perdeu a mãe,
a médica Ana Caminha Silva, 49.
"São muitas dúvidas
sobre nossos direitos e como proceder para garanti-los. A gente tem
muito medo de ser enganada", diz uma familiar.
Na terça-feira à noite,
a professora Luciana Siqueira, irmã de Plínio Siqueira (presidente da
empresa Bombardier em Campinas, SP) e uma das fundadoras da associação
de parentes de vítimas do vôo da Gol, confirmava: "Vem vindo até um
escritório da Flórida para falar com a gente".
Formada no domingo
passado, a associação reuniu-se pela primeira vez a partir de iniciativa
do empresário brasiliense do ramo de educação Jorge André Cavalcante,
que perdeu o sobrinho Carlos Cruz, 26. Cavalcante diz ter-se inspirado
em Roberto Justus e seu programa Aprendiz: "O importante é ter uma
grande idéia".
"Foi uma grande idéia
mesmo. O sofrimento envolvido nesse acidente é tão grande, que é muito
importante estar junto. Quando um chora, o outro consola. Quando este se
desespera, aquele acolhe", diz.
Fonte: Folha Online
Comentando:
Os "abutres" não
perdem tempo. Acidente aéreo é causa ganha, eles sabem. A
insensibilidade de invadir velórios e funerais passou dos limites. A
OAB, atenta, solicitou que fosse denunciados para poder puni-los
devidamente.
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Infraero não descarta erro no controle do tráfego aéreo
07/10/2006
da Folha de S.Paulo, em
Brasília
O presidente da
Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse ontem que não é possível
afastar, neste momento, a possibilidade de erro no controle do tráfego
aéreo como fator que levou à colisão entre o Boeing-737/800 da Gol e o
Legacy, matando 154 pessoas.
Pereira ressaltou que é
necessário cruzar dados das caixas-pretas com os registros de radar em
terra. "É prematuro [dizer que não há culpa do controle]. Tem que ter
todos os dados. Não só as caixas, mas também contextualizar com as
gravações de terra, com as imagens de radar, com o depoimento dos
pilotos que sobreviveram. É prematuro acusar ou defender qualquer
pessoa", afirmou.
A Infraero, vinculada
ao Ministério da Defesa, é responsável pela administração de todos os
aeroportos do país.
A FAB (Força Aérea
Brasileira), responsável pelo controle do tráfego, nega problemas dos
radares ou falhas dos operadores, embora não confirme oficialmente os
detalhes da investigação sobre o acidente, ocorrido no último dia 29.
Uma das poucas
informações confirmadas até o momento só levanta mais dúvidas. O Boeing
da Gol voava a 37 mil pés de Manaus a Brasília seguindo seu plano de vôo
quando colidiu com o jato executivo Legacy, da Embraer, que ia em
sentido contrário na mesma altitude.
Mas o plano de vôo do
Legacy previa que ele primeiramente descesse dos 37 mil pés em que vinha
de São José dos Campos para 36 mil e depois, cerca de 400 km antes do
local da colisão, passasse para 38 mil pés.
A aerovia, uma espécie
de estrada virtual, também estabelece as altitudes "ímpares" (37 mil, 39
mil) para aviões num sentido e as "pares" (36 mil, 38 mil) para outros.
Antes dos radares, apenas esta regra servia para evitar acidentes,
segundo o brigadeiro. "A Amazônia funcionou durante décadas com esse
mesmo tipo de tráfego e nunca ninguém bateu."
Discernimento
Indiretamente, Pereira
criticou a atitude dos pilotos do Legacy que se mantiveram na
"contramão".
"Também é uma questão
de discernimento do piloto. Se está numa altitude diferente, sem rádio,
sem contato, "ai meu Deus", sai do eixo da aerovia, retoma a altitude e
volta para o eixo para evitar acidentes. Isso aprendi quando tinha 17
anos."
Os pilotos alegam que
não tiveram contato com o controle em Brasília e, por isso, mantiveram
sua rota e altitude, alegando que, para fazer uma mudança, precisariam
de autorização de terra.
O problema é que o
procedimento, no caso de falta de contato, é justamente seguir seu plano
de vôo original - no caso, permanecer nas faixas pares da aerovia. A
versão no centro de controle é outra: o contato foi tentado por rádio,
mas não houve sucesso.
Segundo o brigadeiro, é
preciso aguardar o fim das investigações sobre o acidente antes de tirar
conclusões.
Falando em tese, o
presidente da Infraero disse que quando um piloto "perde" o rádio deve
incluir um código no transponder do avião ou usar uma outra aeronave que
esteja voando perto para fazer uma ponte com o controle em terra.
Ele também afirmou que
seria um risco determinar que o piloto do avião da Gol mudasse de rota,
diante do desaparecimento dos sinais do Legacy. Segundo ele, como os
radares não estavam captando a posição do Legacy, não havia como dizer
onde o Boeing deveria se posicionar. "A lógica normal em aviação diz:
não mexa naquele que está correto, ou você estará agravando o problema."
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União
pode ser obrigada a arcar com despesas de indenizações
06/10/2006
da Folha Online
Se ficar comprovado que
a queda do Boeing do vôo 1907 da Gol foi provocada por uma falha no
centro de controle de tráfego aéreo, a União poderá ter que arcar com as
indenizações a serem pagas para os familiares das 154 pessoas mortas no
acidente, de acordo com o advogado Sérgio Alonso, especialista em
direito aeronáutico.
O avião caiu em uma
área de mata fechada do Mato Grosso, depois de bater em um Legacy
pertencente a uma empresa norte-americana, no último dia 29.
O profissional afirma
que, se as autoridades brasileiras e internacionais responsáveis pela
investigação concluírem que a culpa foi das Forças Armadas, o governo
pode ser obrigado a ressarcir a Sul América, seguradora da companhia
aérea, por seus gastos. À seguradora cabe a responsabilidade inicial de
indenizar os herdeiros das vítimas.
Conforme o Código
Brasileiro de Aeronáutica, a Gol é obrigada a pagar R$ 125 mil para os
herdeiros de cada vítima, independente da culpa pelo acidente.
Multiplicado pelo número de mortos, o montante resultaria em R$ 19,3
milhões. Ele deve subir se o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidir
de acordo com sua jurisprudência e submeter a relação entre cliente e
companhia aérea ao Código de Defesa do Consumidor.
Neste caso, as
indenizações seriam compostas pelos valores referentes aos lucros
cessantes (dois terços do valor que a pessoa lucraria até completar 65
anos); e aos danos emergentes (gastos com enterro e perda de bagagem,
por exemplo). Neste caso, é preciso analisar o perfil de cada vítima
para chegar ao resultado.
Em nota, a Sul América
informou contar com a "participação do ressegurador nacional IRB-Brasil
Re e de resseguradores internacionais" na efetuação de seus pagamentos.
Em apólices desta natureza, a seguradora costuma ficar responsável por
indenizar também a companhia aérea pela perda da aeronave.
Exterior
Se, por outro lado, as
investigações apontarem que a culpa pela queda do Boeing é do Legacy e,
consequentemente, da empresa de táxi aéreo norte-americana ExcelAire, os
herdeiros das vítimas do acidente poderão pleitear novas indenizações da
Justiça americana, além dos valores que devem ser pagos pela Gol.
"O esforço vale a pena.
Lá a Justiça é mais rápida inclusive porque, quando mais tempo demora,
maior o valor a ser pago. E existe sempre uma possibilidade de acordo",
diz Alonso.
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Outro
vôo 1907 colidiu no ar há dez anos e causou 312 mortes na Índia
06/10/2006
da Folha Online
"Tráfego a 13 milhas
agora, nível 140". Esse foi o último contato feito pelos controladores
de vôo do aeroporto internacional Indira Gandhi, em Nova Déli, aos
tripulantes do vôo 1907 da Kazakhstan Airlines. O ano era 1996, a data,
12 de novembro.
O alerta final dos
controladores repetia a informação já fornecida de que um outro vôo, um
boeing 747 da Saudi Arabia Airlines, estava na mesma rota aérea, em
sentido contrário, e se aproximava perigosamente do 1907.
O aviso foi inútil:
momentos mais tarde, os dois aviões se chocaram no ar. Os destroços
caíram, em chamas, em uma área rural da Índia. Todas as 312 pessoas que
estavam a bordo das aeronaves morreram no acidente.
O acidente guarda
semelhanças com o que envolveu o vôo 1907 da Gol, que causou a morte de
154 pessoas no dia 29 de setembro último, em Mato Grosso. Além do número
do vôo, ambas as quedas foram motivadas pelo choque de duas aeronaves,
uma maior e outra menor.
Só que, ao contrário do
acidente de 1996, no choque entre o Boeing 737/800 da Gol e o jato
Legacy, a aeronave menor conseguiu pousar e evitar a morte dos
passageiros. Desde o acidente, considerado o maior da aviação
brasileira, as especulações apontam que os sistemas anticolisão das duas
aeronaves não funcionaram porque o piloto Joseph Lepore e o co-piloto
Jan Paul Paladino, do Legacy, haviam desligado o transponder
(comunicador), ou porque os equipamentos simplesmente falharam.
Kazakhstan 1907
O vôo 1907 da
Kazakhstan Airlines havia partido de Chimkent, no Cazaquistão, em uma
aeronave tipo Ilyushin 76, às 18h40. Levava 37 pessoas a bordo. O boeing
747 saudita decolou de Nova Déli às 18h32 na mesma aerovia (rota aérea
seguida pelos aviões) do 1907.
Como o vôo 1907 estava
se aproximando pelo outro lado, o controlador de vôo do aeroporto disse
para o boeing: "mantenha altitude 140, aguarde para subir". Um pouco
depois, o 1907 avisou ter alcançado a altitude de 150. O controlador
respondeu: "Mantenha 150. Tráfego identificado às 12 horas (à frente),
no boeing 747 da Saudi, a 14 milhas". A equipe do 1907 solicitou
confirmação da distância do outro vôo, ao que o controlador respondeu:
"14 milhas agora, 1907".
Nenhuma resposta se
seguiu. O controlador fez então o alerta, que seria o último a ser
ouvido pelos tripulantes do vôo: "Tráfego a 13 milhas, nível 140".
Momentos depois, os
dois aviões colidiram. Aparentemente, o 1907 havia descido abaixo da
altitude autorizada e não continuou a comunicação com a torre de
controle do aeroporto.
O relato da colisão,
que consta dos acidentes registrados na "Aviation Safety Network", da
organização internacional Fundação de Segurança de Vôos, conclui que o
motivo do choque foi uma descida não-autorizada do vôo 1907 da
Kazakhstan Airlines, assim como sua falha em manter a altitude. Se as
recomendações tivessem sido seguidas, os dois aviões teriam passado a
uma distância segura e o acidente teria sido evitado.
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"Controle aéreo é péssimo", diz jornalista
05/10/2006
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
da Folha de S.Paulo, em Nova York
"O controle do tráfego
aéreo brasileiro é péssimo. Os pilotos americanos correm risco naquele
país." A avaliação é do colunista do "The New York Times" Joe Sharkey.
Ele era um dos sete passageiros do jato da Embraer que sobreviveram à
colisão com o Boeing-737/800 da Gol na última sexta-feira.
A entrevista de Sharkey
foi ao ar no programa "Today Show", da rede NBC, exibido ao vivo às 7h30
locais (8h30 em Brasília). Sharkey disse questionar a condução do
inquérito da Aeronáutica. "Precisamos ter cuidado com as evidências
coletadas pelas autoridades brasileiras sobre o acidente." A Justiça
determinou a apreensão dos passaportes do piloto e do co-piloto do
Legacy.
Questionado pelo
apresentador Matt Lauer sobre a situação de Joseph Lepore e Jan Paladino
no Brasil, Sharkey respondeu: "Os pilotos correm risco naquele país",
sem especificar se era risco de morte ou de serem presos.
Em nota no blog "Joe
Sharkey at Last" (www.joesharkey.com), o jornalista diz ter ficado
detido para interrogatório por 36 horas após o pouso forçado do Legacy.
Desde o início desta semana, a página tem recebido mensagens de conteúdo
ofensivo, algumas em português, sobre o incidente.
À NBC, Sharkey disse
ainda que os pilotos do Legacy não tiveram nenhuma comunicação por rádio
com a torre de comando após o choque.
Outro
lado
O ministro Waldir Pires
(Defesa) considerou "lamentável" as críticas feitas por Joe Sharkey. "É
lamentável uma entrevista desse tipo", afirmou.
Pires defendeu o
sistema de controle do tráfego aéreo brasileiro. "Rivalizamos com os
melhores sistemas do mundo, como o dos Estados Unidos."
Colaborou Folha de
S.Paulo, em Brasília
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