TRAGÉDIA NO VOO 402 DA TAM

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O Fokker 100 da TAM partiu no dia 31 de outubro de 1996, para realizar o voo 402 da Ponte Aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro. Apenas 24 segundos após a decolagem, o PT-MRK caiu sobre o bairro do Jabaquara, próximo ao aeroporto de Congonhas, matando seus 96 ocupantes e três pessoas em solo.


ÍNDICE

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Os 24 segundos

do voo 402

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O caos em solo

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Gráficos, mapas e imagens relacionados ao acidente

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As Vítimas

 

Fotos da tragédia

 

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Personagens da tragédia

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O Fokker 100 e os dados

do avião e do voo

A caixa-preta

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O Relatório Final

(síntese)

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Meu depoimento

sobre o acidente

.

Notícias da época do acidente comentadas

.A questão das

indenizações

.Vídeos sobre

o Acidente

.

Opinião e Análise

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Outras matérias

importantes

Fontes de Pesquisa

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Introdução

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Este relato tem o objetivo de esclarecer o que ocorreu durante e após a tragédia da queda do Fokker 100, prefixo PT-MRK, da TAM, voo 402, no bairro do Jabaquara, em São Paulo, em 31 de outubro de 1.996.

 

Eu, Jorge Tadeu da Silva, autor deste site, sou uma das vítimas terrestres do acidente.

 

Minha casa e a de meus pais, entre outras tantas da Rua Luis Orsini de Castro, foram destruídas pelo avião.

 

É meu dever como Jornalista relatar e comentar a verdade dos fatos, pois presenciei e convivo até hoje com essa tragédia.

 

Passados vários anos, existem indenizações pendentes. As empresas TAM e Unibanco Seguros são as responsáveis pelo pagamento. O voo 402 tinha seguro. O valor: US$ 400 milhões de dólares.

 

Aqui você acompanhará matérias, o Relatório da Aeronáutica, as notas oficiais, o conteúdo das caixas-pretas, as imagens da tragédia, as inverdades ditas para a imprensa pelas empresas envolvidas e a desesperada luta das viúvas, de outros parentes das vítimas e dos moradores da região em busca de seus direitos e, ao mesmo tempo, a incansável batalha que a TAM e a Unibanco Seguros nos Tribunais para não reparar os danos causados pela queda da aeronave.

 


Os 24 segundos do voo 402

.

Quinta-feira, 31 de outubro de 1996

Aeroporto de Congonhas, São Paulo

Pintado de azul escuro, com a inscrição "number 1", o Fokker 100, prefixo PT-MRK, da TAM, taxiou pela pista 17 R do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Eram 8 horas e 20 minutos da quinta-feira, 31 de outubro, o popular "Dia das Bruxas".

 

Próximo da cabeceira os comissários Marcelo Binotto, Flavia Fusetti Fernandes, Mariceli Pires Carneiro e Janaina Kakke dos Santos realizavam os últimos preparativos para a decolagem e na cabine o experiente Comandante José Antônio Moreno, 35 anos de idade e nove mil horas de voo e cinco anos pilotando o Fokker 100, juntamente com o copiloto Ricardo Luís Gomes Martins, 27 anos, com quatro mil horas de voo, sendo 160 delas em Fokker 100.

 

O voo 402 da TAM entre São Paulo e Rio no início da manhã é conhecido como o voo do mercado. O horário das 8h30 é o preferido dos executivos de bancos e empresas que embarcam diariamente rumo ao Rio para fechar negócios, visitar clientes ou para simples reuniões nas companhias.

 

Pelo menos dezesseis pessoas diretamente ligadas a empresas financeiras estavam na lista de passageiros. O Unibanco tinha oito funcionários na aeronave. O Citibank um diretor e um funcionário de uma empresa coligada, a Interchange. Também havia a bordo executivos do Banco de Boston, Banco Cidade, Chase Manhattan Bank, Itaú, Banco Santos e Banco Garantia.

 

O plano do voo 402 indicava que o avião deveria chegar à cabeceira dos 1.940 metros de pista, a mais de 33 metros de altura. Acelerando em linha reta, o piloto ganharia pelo menos 165 metros de altura quando, então, faria uma curva à esquerda. Seria o caminho certo para o 'Number 1" levar seus 90 passageiros e seis tripulantes ao Rio de Janeiro.

 

Após o taxi, a aeronave toma posição na cabeceira da pista 17R. A Torre de Congonhas faz contato. A autorização para a decolagem é dada.

 

08:26:00 - Torre de Congonhas: ...torre de decolagem... vento 060 graus... 6 nós... após decolagem 119 8...

 

A aeronave começa a rolar pela pista ganhando velocidade.

 

08:26:02 - Copiloto: 02 iniciando.

 

08:26:03 - Piloto: TOGA!

 

Em aviação, a expressão TOGA é a junção em inglês das iniciais de "Take-Off/Go-Around".

 

08:26:04 - Copiloto: Take off, take off green.

 

Um bip é ouvido na cabine.

 

08:26:06 - Piloto: Ai… ai… o que é?

 

08:26:08 - Copiloto: Tá manual.

 

08:26:10 - Piloto: O auto-throttle... tá fora, tá!.

 

Um duplo bip é ouvido na cabine.

 

08:26:15 - Piloto: O auto-throttle tá fora.

 

O copiloto ajusta as manetes manualmente e informa ao capitão:

 

08:26:19  - Copiloto: Thrust check.

 

O avião acelera ultrapassando os 80 nós.

 

08:26:32  - Copiloto: V-one.

 

Às 08:26:34 a aeronave alcança a velocidade de 131 nós.

 

Às 08:26:36 o Fokker atinge os 136 nós e decola, subindo num ângulo de 10 graus. Nesse mesmo instante, um choque é sentido e a ocorre uma súbita perda de potência no motor nº 2.

 

No exato instante em que o avião sai do chão, o reverso da turbina direita se abriu e inverteu a propulsão daquele motor para trás, como uma marcha à ré. Na cabine, o painel não deu nenhum sinal de alarme, mas o manete de aceleração do motor recuou violentamente, puxado por um sistema de cabos de segurança ligado ao reverso. Esse sistema serve para evitar que o reverso fique aberto com o motor acelerado.

 

A tripulação, surpreendida por uma circunstância anormal nesta fase do voo, interpreta a falha como sendo o prosseguimento de uma indicação de falha do sistema "auto throttle" (uma falha do sistema de aceleração automática) e procura executar imediatamente uma ação corretiva.

 

O defeito é cíclico. O reverso se fecha, mas volta a abrir outras duas vezes em 10 segundos. Quando fechado, permite que o manete possa ser levado à frente. no momento em que o reverso se abre, o manete volta a ser recuado e permanece travado. O avião estava a 129 pés.

 

08:26:40  - Copiloto: Rotate. Travou!

 

Em solo, o mecânico Antônio Bueno ouviu um barulho estranho. De dentro de um hangar da Líder Táxi Aéreo, localizado próximo à cabeceira 35, ele se virou e olhou para o céu. Sabia que era o barulho do reverso, o movimento que inverte o fluxo do ar e abre a parte traseira da turbina em forma de concha para auxiliar a frenagem na hora do pouso.

 

"Quando eu ouvi o barulho, olhei e vi a concha se abrindo, e outra vez e outra vez.", relatou mais tarde. "O reverso abriu! O reverso abriu!", gritava ele, como se os pilotos do avião pudessem ouvi-lo.

 

A perda de potência no motor nº 2 fez com que a aeronave derivasse à direita mantendo-se a baixa altitude e velocidade. O comandante aplicou o leme e o aileron esquerdo para neutralizar o movimento do avião.

 

O copiloto avançou as manetes, mas eles retornaram a posição anterior quase que imediatamente, fazendo com que a potência de ambos os motores caísse bruscamente.

 

Preocupados com a movimentação das manetes, os tripulantes continuavam não se dando conta que o reversor estava em funcionamento.

 

Mais uma vez os dois empurraram as manetes para frente.

 

08:26:44 - Piloto: Desliga lá em cima... o auto-throttle! Puxa aqui!

 

Os tripulantes aceleram a turbina direita sempre que o equipamento permite. Na segunda vez em que o manete direito recua, a mão do tripulante traz junto o manete do motor esquerdo.

 

Por quatro segundos, os dois motores ficam com aceleração mínima. A velocidade da aeronave no ar caiu para 126 nós.

 

Quando o manete está travado, a força exercida pelo piloto ou pelo copiloto sobre ele chega a ser de 50 kg.

 

O copiloto avisa que desativou o auto-throttle.

 

08:26:48 - Copiloto: Tá off!

 

O desespero toma conta da cabine.

 

08:26:51 - Piloto: Lá em cima, lá em cima... aqui também!

 

08:26:52 - Copiloto: Tá off! Tá off!

 

Em seguida, o copiloto empurra a manete totalmente para a frente mais uma vez. O sistema de cabos de segurança que evita a abertura do reverso com o motor acelerado cede. O manete de aceleração da turbina direita é liberado, embora o reverso permaneça aberto. O defeito desestabiliza por completo a aeronave.

 

A tripulação mantém a carga sobre o manete e o leva à frente (acelerando o motor) no momento em que ele fica livre.

 

Com o reversor implantado, a velocidade do avião diminuí a razão de 2 nós por segundo.

 

Às 08:26:55, os manches começam a fazer muito barulho vibrando intensamente. É o prenúncio que o avião entrou em estol.

 

O PT-MRK, impulsionado para a frente pelo motor esquerdo, e para trás pela turbina direita, tomba para a direita num ângulo de inclinação 39 graus e inicia sua decida final. O Comandante Moreno pressente a tragédia:

 

Piloto: Ai meu Deus… do… céu!

 

Sete segundos depois, ouve-se o aviso do sistema de aviso de proximidade do solo da aeronave.

 

08:27:02 - GPWS: Dont’t sink... ("Não afunde...")

 

O avião colide contra um primeiro prédio de dois andares na Rua Jurupari, nº 40. Em seguida, choca-se contra um segundo prédio e perde parte de sua asa direita. Na sequência, arranca o telhado de um sobrado e faz sua primeira vítima fatal em solo, o pedreiro Tadao Funada que fazia reparos no local e morreu carbonizado.

 

Por fim, o Fokker 100 cai sobre diversas casas na Rua Luis Orsini de Castro, no Jabaquara, a cerca de dois quilômetros do aeroporto, causando grande destruição e fazendo mais duas vítimas em solo, o professor Marcos Antônio de Oliveira, soterrado em sua garagem e o cunhado dele, Dirceu Barbosa Geraldo, que estava na calçada (este chegou a ser hospitalizado, mas, com queimaduras de 3º grau em 75% do corpo, faleceu cerca de 30 dias após o acidente).

 

Quando finalmente parou, a aeronave com os tanques cheios de querosene, e com apenas 18 lugares vazios, explodiu em chamas, matando seus 96 ocupantes.

Por: Jorge Tadeu da Silva

 

O caos em solo

 

Gigantescas labaredas, destroços, pânico e morte tomaram conta da pacata rua Luís Orsini de Castro. Um grossa coluna de fumaça preta ergue-se aos céus como que avisando a todos que uma terrível tragédia havia acontecido, a maior já registrada no Aeroporto de Congonhas até aquela data.

 

Como o tanque estava cheio, e a rua onde caiu é uma ladeira, o querosene escorreu e produziu fogo e explosões numa extensão de 200 metros abaixo do conjunto de casas atingido diretamente. Sete carros explodiram nesse rastro.

 

A dona de casa Sônia Regina estava no quintal lavando roupa no tanque quando a turbina do avião arrombou a laje de sua casa. Junto com a turbina vieram sete cadáveres. Três foram parar na sala, e quatro no quintal. De repente, uma bola de fogo chegou até Sônia, como se fosse um maçarico. Era o combustível que vazava. Desesperada, Sônia se pendurou em uma calha, subiu até a caixa d'água e de lá pulou para o telhado. Para que se salvasse, os vizinhos providenciaram uma grande tábua, que serviu de rampa. Por sorte, esta só em casa. Suas duas filhas estavam na escola.

 

Arnaldo Leonardo decidiu mostrar para sua esposa, Conceição, a nova cobertura que havia sido instalada sobre a garagem onde estava o carro que tinha recentemente comprado, um Logus zero-quilômetro. Os dois olharam pela janela do quarto no 2º andar do sobrado, em seguida, foram para as escadas em direção à cozinha para tomar o café da manhã. Naquele instante, o trem de pouso do Fokker entrou violentamente no quarto deles derrubando parte das paredes.

 

Arnaldo pegou a esposa pela mão e saiu correndo. A frente de sua casa ardia em chamas. Correram para os fundos da residência, onde há uma interligação com a casa de seu filho, Jorge Tadeu (este que vos escreve). Não havia ninguém no sobrado vizinho. O jornalista e professor Jorge Tadeu já estava em seu trabalho. Observando que a frente da casa de seu filho estava completamente destruída, mas com um pequeno espaço para passar por entre as chamas, Arnaldo e Conceição correram para a rua, onde foram socorridos por funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego que por ali passavam.

 

Renata Calazans, 27 anos, auxiliar administrativa da Fundação Getúlio Vargas, conversava com a avó no hall de entrada de sua casa quando a cabine do piloto entrou pela copa. Junto com ela, entraram três cadáveres. Seu irmão, espírita, estava rezando, e a tia, tomando banho.

 

Dez minutos depois do acidente, Jorge Tadeu recebeu a notícia pelo irmão que lhe telefonou: "Um avião caiu sobre sua casa".

 

Mesmo morando em um local em que centenas de aviões passam diariamente sobre as residências, Jorge achou que se tratava de uma brincadeira. "Meu irmão insistia que era verdade. Foi quando percebi que algo muito grave havia acontecido mesmo", recordou.

 

O colégio onde Jorge dava aulas era próximo ao local do acidente. No trajeto já se podia perceber a fumaça que tomava conta da rua Luís Orsini de Castro, a mais atingida pela aeronave. O professor ficou bastante apreensivo, já que no sobrado ao lado do seu moravam seus pais -  Arnaldo e Conceição - e ele não tinha informações sobre as condições em que se encontravam.

 

Jorge conta que chegou ao local do acidente ainda antes do corpo de bombeiros. Como o combustível do avião se espalhou, havia vários focos de incêndio pela vizinhança. "É uma cena que me marca até hoje. Sempre que vejo imagens de destruição, de guerra, lembro daquele dia". (clique aqui para ler o relato pessoal de Jorge Tadeu)

 

Horas depois, soube que seu pai sofreu queimaduras leves e sua mãe estava em estado de choque. Já as duas casas da família foram bastante atingidas. O trem de pouso da aeronave caiu dentro de um dos quartos do sobrado dos pais e parte da cauda caiu na garagem e uma das turbinas atingiu o carro de seu pai deixando-o completamente esmagado.

 

O Hospital Municipal do Jabaquara recebeu dezesseis vítimas do acidente, sendo que pelo menos três delas apresentaram intoxicação exógena, causada pela inalação de gases tóxicos do avião.

 

O bairro do Jabaquara, atingido pela queda do avião, teve a energia elétrica, luz e telefone cortados devido ao acidente.

 

Os bombeiros levaram 26 viaturas ao local (entre carros de combate a incêndio e ambulâncias dos paramédicos) e oitenta homens trabalharam no resgate. Soldados do Exército e Aeronáutica também foram acionados para inspecionar a região e recuperar a caixa-preta da aeronave.

 

No momento do resgate, os corpos que os bombeiros retiraram dos escombros fumegantes estavam irreconhecíveis em sua maioria.

 

A cena era terrível. No início da operação de resgate feita pelos bombeiros, os corpos foram enfileirados no chão, na própria Rua Luís Orsini de Castro, sem nenhuma proteção. Mais tarde, chegaram sacos plásticos que serviram para embrulhar os mortos. Corpos ainda em chamas podiam ser vistos no meio da rua, enquanto moradores em estado de choque circulavam por entre a fumaça e o caos. Assustadas, pálidas, contavam histórias que nunca mais sairão de sua memória.

Por: Jorge Tadeu da Silva


 

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