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O que provocou o
acidente?
Ainda não se sabe.
Relatório da BEA (Escritório de Análises e Investigações), a agência
francesa que investiga o caso, afirma que ocorreu uma "cadeia de
eventos", mas que a falta das caixas-pretas, de testemunhas e de dados
do voo dificultam a apuração. A BEA confirmou que houve uma
"inconsistência de mensuração" da velocidade do ar, mas isso apenas não
explica o acidente. A Airbus recomendou a substituição dos sensores de
velocidade conhecidos, como tubos de Pitot nos aviões A330 e A340, e
várias empresas, inclusive a Air France, já seguiram a sugestão. Mas
analistas da Airbus afirmam que falha humana e outros problemas técnicos
podem ter concorrido para causar a queda.
Quantos corpos foram
resgatados?
Dos 228 passageiros e
tripulantes a bordo, apenas 50 corpos foram resgatados. Entre as vítimas
reconhecidas estavam 20 brasileiros (12 homens e 8 mulheres) e 30
estrangeiros (13 homens e 17 mulheres).
Havia tempestades
naquela região?
Sim. Nessa época do ano, é
comum a formação de tempestades na área, conhecida como Zona de
Convergência Intertropical. Imagens de satélite mostram uma intensa
atividade climática ao norte de Fernando de Noronha na noite de domingo,
com até 18 quilômetros. Nessa altitude, é comum a formação de gelo
(granizos), em vez de chuva. Aeronaves como o Airbus podem "perceber"
uma tempestade com até 30 minutos de antecedência. Mas segundo
especialistas, o equipamento identifica a água, e não o gelo. Por isso,
é possível que os pilotos não tenham tido tempo de fugir da tempestade.
Essa pode ser a
principal causa do acidente?
A tempestade e os fatores
climáticos são fatores importantes e são considerados pelos
investigadores. No entanto, especialistas afirmam que um avião do porte
do Airbus dificilmente cai em função de uma tempestade, ainda que seja
atingido por um raio. De acordo com a Aviation Safety Network, desde
1973 apenas 73 acidentes tiveram suas causas ligadas a fortes
turbulências. O ideal, segundo pilotos, é tentar escapar da área de
tempestade. Para isso, podem fazer desvios, mudar a velocidade ou a
altitude da aeronave.
Que outras possíveis
causas já foram levantadas?
Além da forte tempestade,
diversos outros fatores e possibilidades são considerados. Uma delas é
de que a pane elétrica tenha sido causada por uma falha na aeronave. O
mesmo modelo de aeronave, operado por outra companhia, já havia sofrido
duas panes elétricas. Esta hipótese, segundo a investigação, indica que
as sondas pitot - que são sensores de velocidade - falharam depois de
expostos a fortes precipitações, combinadas com baixas temperaturas,
levando à “incoerência da velocidade aferida” e ao desligamento
automático dos sistemas eletrônicos de navegação. A BEA afirma que com
os atuais dados disponíveis não pode garantir que essa foi a causa da
queda, mas pode ter sido um dos elementos. A hipótese de um atentado foi
levantada por um piloto da Air France ao jornal francês "Le Figaro". A
companhia aérea confirmou ter recebido um falso alerta de bomba no dia
27 de maio, que estaria localizada em um vôo entre Paris e Buenos Aires.
Mas autoridades consideram essa hipótese "improvável".
Os pilotos informaram
algum tipo de problema durante o voo?
Não. Segundo o Comando da
Aeronáutica, não há registro de mensagens de alerta entre os pilotos e o
controle de tráfego aéreo brasileiro. A comunicação seguia normal e,
inclusive, houve um contato às 22h33, por rádio, com o Centro de
Controle (Cindacta 3). No entanto, às 23h20, a aeronave deveria fazer
mais um contato, o que não aconteceu. Pouco antes, às 23h10, o avião
começou a enviar uma série de mensagens automáticas à companhia aérea.
Áreas muito distantes das costas em geral não são cobertas por radar.
Mas os pilotos podem fazer a comunicação por rádio. Há ainda uma outra
possibilidade, que é transmissão de um sinal para outras aeronaves, que
estejam trafegando pela região. No entanto, nenhuma das duas
possibilidades foi utilizada pelos pilotos, o que pode sugerir, por
exemplo, que os pilotos não tiveram tempo ou que algo não funcionou.
O que já foi resgatado
até o momento?
Durante as buscas iniciais
foram recuperados 50 corpos e mais de uma centena de pedaços do avião.
Mas grupos de busca internacionais, que usaram submarinos especiais e
robôs, não conseguiram encontrar as caixas-pretas e os gravadores de voz
e de dados do avião. Entre os pedaços do avião que foram identificados
estão bóias, poltronas, peças metálicas e objetos brancos, que
correspondem à parte interna da aeronave. Os objetos encontravam-se até
150 quilômetros distantes uns dos outros. Segundo a Aeronáutica, tudo
que foi coletado foi entregue ao governo francês.
Onde estão as
caixas-pretas?
Em uma área delimitada do
Oceano Atlântico. Ela foi determinada no ano passado, por sinais
emitidos pelas próprias caixas.
Quais as chances de se
encontrar a caixa-preta?
Já foram realizadas três
fazes de buscas, a um custo total de 20 milhões de euros. Até agora,
todos os trabalhos de busca para a recuperação dos registros de voos
fracassaram. A terceira operação de busca pelos restos do Airbus 330,
cujo custo foi de 13 milhões de euros (US$ 15,8 milhões), foi encerrada
no último mês. A caixa-preta armazena informações que podem decifrar o
mistério do acidente, como por exemplo as conversas na cabine de
comando. As autoridades francesas disseram ser "quase impossível"
encontrá-la, em função da profundidade do mar, da extensão da região e
da irregularidade do terreno. A BEA informou que está avaliando a
situação e que apenas em julho deve decidir se as buscas serão
retomadas.
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O que são as sondas
pitot?
As sondas de Pitot são
tubos metálicos em forma de L, com cerca de 20 centímetros de largura no
lado maior, que saem das asas ou da fuselagem do avião. A pressão do ar
que entra no tubo permite que os sensores meçam a velocidade e o ângulo
do deslocamento do voo, além de captar outras informações menos vitais,
como a da temperatura do ar fora da aeronave. Eles são aquecidos para
evitar que congelem. Um tubo de Pitot bloqueado ou defetuoso poderia
fazer o sensor de velocidade operar incorretamente, levando o computador
que controla o avião a acelerar ou desacelerar de maneira potencialmente
perigosa. Um das teorias que poderiam explicar o acidente é a de que os
sensores de velocidade congelaram-se, passando informações incorretas
para os computadores do avião. O piloto automático teria então
determinado que a aeronave voasse rápido ou devagar demais durante uma
turbulência provocada pelas tempestades da região do acidente. Mas o
congelamento das sondas já ocorreu em outras ocasiões, sem provocar
acidentes.
Como funcionam as
caixas-pretas?
As caixas-pretas são duas
estruturas coladas, que registram todos os dados do voo (como altitude,
velocidade) e as comunicações da cabine. Elas são feitas para sobreviver
a fortes impactos.
Em que pé estão as
indenizações?
Em março de 2010, uma
família de vítima brasileira obteve uma indenização de R$ 2 milhões, o
que provocou reclamação das famílias de vítimas francesas, que pediram
valores semelhantes. O grupo francês Axa, que representa as seguradoras
da Air France, recorreu, pois considera que o valor das indenizações
deve ser determinado por uma comissão, conforme combinado. Sarah
Stewart, do escritório londrino Stewarts Law, que representa 50 famílias
de vítimas, afirmou que as seguradoras da Air France oferecem
extrajudicialmente indenizações diferentes em função da nacionalidade
das vítimas: US$ 4 milhões por pessoa nos Estados Unidos, US$ 750 mil no
Brasil e US$ 250 mil na Europa. A empresa e suas seguradoras não
comentaram a afirmação.
Do que os parentes das
vítimas reclamam?
Eles acreditam que não
foram investigadas todas as pistas.
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