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São Paulo, segunda-feira, 09 de julho de
2001
Empresário, acompanhado de
funcionária, pilotava aeronave que caiu
no Paraguai
Acidente de helicóptero mata
presidente da TAM
JOSÉ MASCHIO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA
O presidente da TAM, comandante Rolim
Adolfo Amaro, 58, morreu às 10h20 de
ontem, em Pedro Juan Caballero
(Paraguai), em consequência da queda do
helicóptero que pilotava. A gerente da
TAM Patrícia dos Santos Silva, 30, que o
acompanhava, também morreu no acidente.
A Polícia Nacional do Paraguai ainda não
sabe as causas do acidente. Segundo
policiais, o dono da granja onde o
helicóptero caiu disse que ele voava em
baixa altitude e bateu em uma árvore.
Amaro viajava em um helicóptero Robinson
R-44, cor vermelha, com prefixo ZP-HRA.
Segundo a assessoria da TAM, a aeronave
era do empresário.
A assessoria informou ainda que Amaro e
Patrícia Santos Silva, gerente comercial
da TAM em São Bernardo do Campo,
viajavam ao Paraguai para uma reunião de
negócios. O empresário possuía possui
uma fazenda em Ponta Porã, de onde o
helicóptero decolou.
O chefe da polícia paraguaia em Pedro
Juan Caballero, Jovino Cantero Vasquez,
disse que foi avisado do acidente por
Onorio Vargas, dono da propriedade onde
ocorreu a queda.
O acidente aconteceu no vilarejo
conhecido como Fortuna Guazú, a cerca de
35 km de Pedro Juan Caballero. Vargas, o
primeiro a chegar ao local, disse que os
dois tripulantes "já não apresentavam
sinais de vida'' quando foram
encontrados.
Depois de acionada, a polícia paraguaia
enviou ao local dois agentes. Com eles
estava uma equipe médica, que
diagnosticou as mortes de Amaro e
Patrícia por politraumatismo craniano.
Enterro
O velório de Amaro, no Pavilhão das
Autoridades do Aeroporto de Congonhas,
tinha início programado para as 2h de
hoje. O enterro está marcado para as
15h, no Cemitério de Congonhas.
No final da tarde de ontem, a diretoria
da TAM apresentou uma nota sobre o
acidente.
"A conhecida capacidade de liderança do
comandante Rolim Adolfo Amaro e sua
permanente preocupação de multiplicar os
valores da TAM, no sentido de
perenizá-los, asseguram a manutenção de
seus compromissos éticos e a excelência
de seus serviços, que foram as marcas
dominantes da sua vida", diz o texto.
COMO FOI O ACIDENTE
1 - O presidente da TAM, Rolim Adolfo
Amaro, sai de sua fazenda em Ponta Porã
(MS) com a funcionária da TAM Patrícia
dos Santos Silva, e segue para o
Paraguai em um helicóptero
2 - Por volta das 10h20, a aeronave bate
em uma árvore, segundo o fazendeiro
Onorio Vargas, e cai na colônia Fortuna
Guazú, no município de Pedro Juan
Caballero, já no Paraguai
3 - Minutos depois, o fazendeiro chega
ao local e encontra os destroços do
helicóptero e os corpos de Rolim e
Patrícia, na granja Lucila, em Pedro
Juan Caballero
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São
Paulo,
terça-feira,
10 de
julho de
2001
Vítima
biografava
mulher
de
ditador
DA
REPORTAGEM
LOCAL
A
gerente
comercial
Patrícia
Santos
Silva,
30,
estava
envolvida
no
projeto
pessoal
do
comandante
Rolim
Amaro de
elaborar
a
biografia
de Elisa
Lynch,
mulher
do
ditador
paraguaio
Francisco
Solano
Lopez
(1826-1870).
Rolim e
Patrícia
estavam
indo
anteontem
para uma
reunião
sobre o
projeto
em
Assunção
(Paraguai)
quando o
helicóptero
em que
viajavam
caiu,
causando
a morte
de
ambos.
Formada
em
administração
de
empresas
pela
Uniban
em 1999,
Patrícia
trabalhava
na TAM
havia
quase
dez
anos.
Foi
comissária,
atendente
em
terra,
integrou
a equipe
que
elaborou
o
programa
"Fale
com o
Presidente"
e chegou
a
chefiá-lo.
A
experiência
à frente
do
projeto,
considerado
"a
menina-dos-olhos"
de Rolim,
aproximou
a
funcionária
do
empresário.
Em 99,
Patrícia
passou a
gerenciar
a loja
da TAM
em São
Bernardo
do Campo
(ABC
paulista).
Colegas
dos
tempos
de
faculdade
lembram
que a
gerente
era
muito
"farrista",
mas
extremamente
dedicada
ao
trabalho.
"Ela
vivia
elogiando
a
companhia
e
admirava
muito o
comandante
Rolim",
conta
Maria
Helena
dos
Santos,
42, que
se
formou
com
Patrícia.
Alta e
loura,
Patrícia
não
tinha
namorado.
"Ultimamente
ela
dizia
que
estava
muito só
e que
seu
sonho
era
encontrar
um
grande
amor",
disse
Adriana
Siqueira
de
Moraes,
30, que
veio de
Minas
Gerais
para o
enterro
da
amiga.
No ano
passado,
Patrícia
havia
conseguido
comprar
um
apartamento
próximo
ao
aeroporto
de
Congonhas
(zona
sul de
São
Paulo).
Antes
disso,
morava
com a
mãe,
Elza
Santos,
em São
Bernardo
do
Campo.
O corpo
da
gerente
foi
sepultado
por
volta
das
13h30 de
ontem no
cemitério
Jardim
das
Colinas,
em São
Bernardo.
Ela
tinha
duas
irmãs e
um
irmão,
mas
nenhum
deles
quis dar
entrevistas.
Muitos
funcionários
da área
comercial
da TAM
estiveram
presentes
ao
enterro.
A
empresa
cobriu
todas as
despesas
(os
valores
não
foram
divulgados)
e
manteve
um
médico e
duas
assistentes
sociais
à
disposição
da
família.
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São Paulo, terça-feira, 10 de julho de
2001
ACIDENTE
Helicóptero deveria ter passado por
aeroporto internacional, pois mudou de
país; Receita aponta falta de registro
Vôo de
Rolim era irregular, diz Infraero
FABIANO MAISONNAVE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM
PONTA PORÃ
O vôo no qual morreram anteontem o
presidente da TAM, Rolim Adolfo Amaro, e
a funcionária da empresa Patrícia dos
Santos Silva era irregular, segundo o
setor de navegação aérea da Infraero
(Infra-Estrutura Aeroportuária
Brasileira) em Ponta Porã e o aeroporto
paraguaio de Pedro Juan Caballero.
A Oaci (Organização de Aviação Civil
Internacional), da qual Brasil e
Paraguai são signatários, diz que
aeronaves, ao transitar de um
país-membro para outro, devem decolar de
um aeroporto internacional, passar por
inspeção e apresentar plano de vôo.
Segundo a Infraero, Rolim não manteve
contato com o Aeroporto Internacional de
Ponta Porã no fim de semana do acidente.
O outro aeroporto internacional mais
próximo fica em Campo Grande, distante
350 km da fronteira do Brasil com
Paraguai.
O procedimento correto seria que o
helicóptero decolasse de um aeroporto
internacional, em vez do aeroporto
particular do empresário, localizado em
sua fazenda, a 18 km de Ponta Porã,
antes de entrar no Paraguai.
É também pouco provável que a aeronave,
que tinha matrícula paraguaia, tenha
chegado a território brasileiro via
aeroporto internacional, como determina
a legislação. "Não temos informação
sobre o helicóptero de Rolim", disse
Antonio Carlos Berti, encarregado de
atividades da Infraero.
O encarregado de controle de tráfego
aéreo em Pedro Juan Caballero, Anibal
Bobadilla, disse que entrar no Paraguai
sem passar por um aeroporto
internacional é ilegal.
Técnicos paraguaios e brasileiros do
Dinac (Departamento de Investigação da
Aviação Civil) e do DAC estiveram ontem
de manhã no local do acidente.
Extra-oficialmente, descartaram a
ocorrência de incêndio e explosão antes
da queda do helicóptero. O laudo final
deve sair em 90 dias.
Depois da perícia, os destroços foram
recolhidos e enviados para Assunção de
caminhão.
A inspetoria local da Receita Federal
não registrou a admissão temporária
exigida para a permanência da aeronave
em território nacional. Também não houve
nenhum registro na segunda inspetoria
mais próxima, em Bela Vista, a 130 km de
Ponta Porã.
Segundo o inspetor da Receita Carlos
Tokunaga, a pena para a infração seria a
apreensão do helicóptero.
Outro lado
A direção da TAM, procurada pela
Folha para responder à posição da
Infraero e da Receita Federal, não foi
localizada.
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Empresário não tinha experiência
com helicópteros
DO FOLHANEWS
O diretor-executivo do aeroporto de
Congonhas, Umberto de Angelis, 59, disse
que o comandante Rolim Adolfo Amaro não
tinha experiência com helicóptero.
Angelis era amigo pessoal de Rolim.
Amigos do comandante disseram que ele
comprou há menos de dois meses um
helicóptero Esquilo B3. Rolim dizia a
amigos que estava pegando aos poucos o
jeito com a aeronave.
O helicóptero que Rolim pilotava no
momento do acidente é americano, modelo
Robinson R-44, da Arpa ZP, empresa do
próprio comandante no Paraguai.
O comandante já havia tido dois pequenos
acidentes pelo interior do Estado de São
Paulo durante sua carreira como piloto
e, após vencer um câncer, costumava
dizer a amigos que jamais morreria de
acidente aéreo. "Morro de tudo, menos de
avião", dizia.
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São
Paulo,
quarta-feira,
11 de
julho de
2001
Piloto
contradiz
versão
oficial
sobre
rota do
vôo
DA
AGÊNCIA
FOLHA,
EM CAMPO
GRANDE
Pilotos
que voam
na
região
onde
ocorreu
o
acidente
acreditam
que
Rolim
Adolfo
Amaro,
58, e a
gerente
comercial
Patrícia
dos
Santos
Silva,
30, não
estavam
viajando
para
Assunção,
o que
contradiz
a versão
oficial
da
empresa,
divulgada
anteontem.
O
indício
mais
forte é
que
Rolim
não
havia
feito um
plano de
vôo para
viajar
até a
capital
paraguaia,
o que
contraria
a
determinação
da Oaci
(Organização
de
Aviação
Civil
Internacional).
Além
disso, o
helicóptero,
um
Robinson
R-44 com
autonomia
de cerca
de três
horas,
caiu na
região
da
cordilheira
de
Amambay,
tradicionalmente
sobrevoada
em razão
da bela
paisagem.
Jornalistas
que
estiveram
no local,
a 30 km
da
fronteira
com o
Brasil,
não
avistaram
nenhum
indício
de que
eles
estivessem
viajando.
"Cheguei
15
minutos
depois
do
acidente
e não vi
nenhuma
mala",
disse
Candido
Figueiredo,
do
jornal
paraguaio
"ABC
Color".
Os
técnicos
brasileiros
e
paraguaios
que
investigam
o
acidente
ainda
não se
pronunciaram.
Uma das
maiores
dúvidas
é sobre
quem
pilotava
o
helicóptero.
Figueiredo
afirma
que viu
cabos e
fones de
ouvido
ao redor
do
pescoço
de
Patrícia,
o que
seria um
indício
de que
ela
estava
no
comando.
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São Paulo, sexta-feira, 09 de
novembro de 2001
PAINEL S.A.
(trecho)
Na contramão
Enquanto a Varig e a Transbrasil
devolvem aviões, a TAM receberá hoje
mais um Airbus 320, com 150
assentos, para reforçar sua frota.
Em novembro, chegam mais dois Airbus
e, em dezembro, mais um. Para 2002,
a TAM deverá receber outros 17
Airbus.
Enquanto as outras empresas sofriam
com o atentado de 11 de setembro nos
EUA, a TAM ia de vento em popa.
Dinheiro nunca foi o empecilho para
pagar as indenizações, até porque é
a seguradora a responsável pelo
pagamento.
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Brasília, quinta-feira, 25 de
abril de 2002
AVIAÇÃO
Fokker
100 vai sair do ar
Problemas envolvendo os aviões
fabricados na Holanda fizeram com que a
TAM investisse na renovação da frota.
Esses modelos estão entre os mais
rentáveis da empresa aérea
Pedro Paulo Rezende
Da equipe do Correio
A TAM pretende
substituir toda a sua frota de 50 aviões
Fokker F100 em até oito anos. A
renovação se inicia só em 2002 com a
entrega de dois aviões arrendados em
regime de leasing. Em 2003 serão
devolvidos outros seis aparelhos. Eles
serão substituídos por Airbus A-320, um
dos mais modernos equipamentos do
mundo.
O anúncio coincide com a ocorrência de
alguns problemas técnicos e de operação
no F100. O último deles, no dia 12,
causou uma fuga de fluído hidráulico no
sistema de freios e um princípio de
incêndio no trem de pouso durante um
pouso no Aeroporto do Rio.
‘‘Os problemas com o Fokker 100 sempre
irão surgir primeiro aqui’’, admite o
vice-presidente de Manutenção da TAM,
Ruy Amparo. ‘‘Temos a segunda maior
frota desse modelo, a maior é a da
American Airlines com 68 aviões, mas
operamos com muito mais intensidade. Por
dia realizamos 500 pousos e decolagens,
uma média superior em 20% a da American,
em rotas com a duração média de apenas
uma hora — as da American são em torno
de duas horas. É uma questão de
estatística.’’
Dos três
acidentes com mortes ocorridos com os
F100, dois foram com aparelhos da TAM, a
única a operar o modelo no Brasil.
O outro aconteceu na Macedônia em 1996,
quando um piloto tentou decolar durante
uma nevasca e não conseguiu acionar os
comandos da asas que estavam congelados
— ele pediu para aplicarem descongelante,
mas o trabalho foi mal feito.
Segundo Amparo, todas as panes
verificadas nos Fokker da TAM apareceram
depois em aviões de outras companhias.
‘‘Os acidentes de Congonhas e
Confins causaram uma campanha de
inspeção em todos os F100 do mundo e
foram encontrados erros de projeto, já
corrigidos’’, afirma.
‘‘Por meio da British Airways Safety Information
System (Basis), uma base de dados com
todos os incidentes e acidentes aéreos
ocorridos, comunicamos o problema com o
freio e ele foi localizado em dois
aviões — um da KLM holandesa e outro da
British Midlands.’’
O F100 é operado com sucesso em todos os
continentes. É extremamente rentável
para as empresas aéreas. Dá lucro com
apenas 40 dos seus 108 lugares ocupados.
A holandesa Fokker, uma das mais antigas
fabricantes de avião, fundada em 1908,
faliu em 1996.
‘‘Mas não há falta de
componentes no mercado’’, garante o
vice-presidente de manutenção da TAM.
‘‘As peças continuam a ser manufaturadas
pelos fornecedores tradicionais.’’
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15 de
setembro de 2002
TAM luta
contra onda de "Fokkerfobia"
A TAM
luta hoje contra uma reação dos
passageiros que ameaça virar um novo
jargão do setor aéreo: a "Fokkerfobia",
ou o medo de viajar no Fokker 100.
Em defesa do avião, a companhia
argumenta que o maior problema do
modelo, hoje, não é a exposição aos
riscos, mas à mídia.
Peça fundamental para o crescimento
da empresa, o Fokker 100 enfrenta a
pior crise de imagem desde a queda
do vôo 402 em São Paulo, responsável
pela morte de 99 pessoas em 1996. O
fato é que o "mal" se propaga
rapidamente entre os clientes da
companhia, incluindo passageiros,
empresas e operadoras de turismo.
Os temores pareciam ainda maiores na
última sexta-feira, dia 13. "Se o
problema do avião for azar, o risco
hoje é maior ainda", dizia a médica
Mônica Santana, que aguardava,
tensa, seu vôo para Goiânia, de
Fokker 100. "Se pudesse escolher,
iria em outro vôo, mas ganhei a
passagem." Jean Vechi apenas
acompanhava a namorada, Mônica, no
aeroporto, mas garantia que, se
estivesse no lugar dela, não
embarcaria.
"Nunca mais voei de Fokker 100,
desde o acidente de 96." O analista
de sistemas Eudócio Marinho se dizia
"aliviado" depois que o departamento
de segurança de sua empresa, a
fabricante de papel e celulose
Suzano Bahia Sul, decidiu não
colocar mais seus funcionários a
bordo dos Fokkers 100. "Continuamos
voando com a TAM, mas a agência de
viagens que nos atende está proibida
de adquirir passagens para aquele
avião", contou Marinho, que viaja
semanalmente a trabalho. No meio de
tanta preocupação, a aposentada
Carmem Karan Gerwy, de Porto Alegre,
contrariava a regra. "Não tenho o
menor preocupação em viajar no
Fokker 100. Acredito que problemas
podem acontecer em qualquer
companhia aérea", garantia.
"Continuo confiando na TAM."
Segurança - A resposta da TAM à
situação tem sido categórica: "Não
há nenhum problema com a manutenção
dos aviões da TAM", garante o chefe
de Segurança de Vôo da empresa,
Marco Aurélio Rocha. O comandante,
que ocupa uma cadeira no Comitê de
Consultores de Segurança da
Associação Internacional do
Transporte Aéreo (IATA), explica que
um avião do porte do Fokker 100
percorre mais trechos do que os
usados em rotas mais longas, o que
aumenta sensivelmente a freqüência
de acidentes ao longo da vida útil
do avião. "Temos 47 Fokkers fazendo
de 10 a 12 pousos por dia cada um",
conta. Rocha acredita que a
percepção dos problemas nos vôos do
modelo está sendo "maximizada" pelos
veículos de imprensa. "O público
ficaria espantado se soubesse a
quantidade de acidentes aéreos que
ocorre em dois meses, mas, como a
maioria deles não chega a colocar em
risco os passageiros, passa
despercebida. Não é isso o que
acontece em relação ao Fokker 100",
diz.
Para o professor de Ética
Jornalística Carlos Alberto Di
Franco, a imprensa deve adotar uma
posição prudente ao tratar da imagem
da empresa, mas não há dúvida de que
os acidentes são notícias de
interesse público. "Cabe à companhia
um comportamento de grande
transparência, aproveitando o espaço
na mídia para explicar à população
se há de fato algum problema",
afirma Di Franco. "Fatos que têm
sido divulgados, como o de que a
fabricante do avião faliu, acabam
despertando preocupação nos
passageiros." A empresa informa que,
após o fechamento da Fokker, o
governo do país onde o avião era
montado, a Holanda, e o grupo
industrial Stork mantiveram a
fabricação das peças dos aviões.
Neste ano, segundo a empresa, estão
destinados US$ 210 milhões para a
manutenção de sua frota, ante os US$
150 milhões gastos no ano passado.
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18/09/2002
Medo do
Fokker
Quatro
acidentes em menos de 15 dias provocam turbulências na imagem da TAM
Hélio Contreiras
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PANE SECA Pouso forçado
em fazenda em Birigui (SP) |
Há
30 anos o avião japonês Samurai era retirado da
aviação brasileira, marcado por vários
acidentes. Parece que agora está chegando a vez
do Fokker 100.
Foram quatro acidentes em menos
de 15 dias.
O último, na quarta-feira 11, em um
vôo de Buenos Aires para São Paulo, o piloto foi
obrigado a fazer um pouso forçado em Pelotas, no
Rio Grande do Sul, após a aeronave apresentar
uma vibração na turbina.
Antes, e em um único
dia, na sexta-feira 30, dois Fokkers deram um
susto em seus passageiros. O primeiro, às 10h45,
desceu em uma fazenda em Birigui, interior de
São Paulo, com falta de combustível.
Pouco antes
do meio-dia da mesma sexta-feira, outro Fokker
fez uma aterrissagem de barriga no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, por problemas no trem de
pouso. Nada que se aproximasse do inesquecível
acidente de 31 de outubro de 1996, em Congonhas,
quando morreram 99 pessoas. Mas, ainda assim,
qualquer que seja o susto provocado por um
avião, as conseqüências sempre são dramáticas
para a companhia.
“O
avião holandês está estigmatizado”, disse a
ISTOÉ o ex-diretor do Departamento de Aviação
Civil (DAC) brigadeiro Mauro Gandra. O coronel
Ronaldo Jenkins Lemos, experiente investigador
de acidentes aéreos, diz que o Fokker,
tecnicamente, não oferece riscos, mas faz a
ressalva de que “tem faltado sorte ao avião
holandês”.
Os passageiros não acreditam. Agentes
de viagem dizem que a maioria dos passageiros
resiste à opção de viajar no Fokker 100. “Eles
preferem outro vôo ou outra companhia”, disse
Francisco Leme, que tem mais de 30 anos no
mercado de passagens aéreas.
A
TAM, dona de uma frota de 47 Fokker 100,
informou que não irá se pronunciar sobre os
últimos acidentes antes dos resultados da
investigação que está sendo conduzida pelo DAC.
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