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A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE COM

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São Paulo, sexta, 4 de setembro de 1998

Psicóloga ampara parentes

PAULO DANIEL FARAH
da Redação

Além da parte emotiva, os parentes de vítimas de desastres aéreos têm de lidar com questões como problemas financeiros e processos na Justiça. É o que disse à Folha, por telefone, Sonia Padula Sadalla, 58, psicóloga clínica e hospitalar, que trabalha com pessoas que perderam familiares no acidente do avião da TAM, em 96.

Sadalla disse que uma de suas pacientes não consegue ficar em seu apartamento das 19h às 22h porque seu marido costumava chegar nesse horário.

Entre os sintomas causados pela morte dos pais, segundo Sadalla, está o aumento da agressividade e da depressão dos filhos. Nas sessões, a psicóloga ouviu relatos sobre uma criança que ficava na janela de sua casa para tentar falar com o pai - que foi "para junto do papai do céu", como lhe explicaram-, morto no acidente do avião da TAM.

O papel do psicólogo na hora do acidente é "de bombeiro, de emergência", explica Sadalla. Os familiares às vezes fazem de tudo para que as pessoas não chorem, mas "é preciso haver um desabafo, é preciso chorar".

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Assistência no Brasil é falha

da Redação

O Brasil não tem estrutura para responder a desastres aéreos, segundo Sandra Assali, presidente da Associação dos Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos, criada após o acidente do vôo 402 da TAM (em outubro de 96), que matou 99 pessoas.

Na ocasião, Assali, 42, viu explodir o avião onde estava seu marido, José Abu Assali.
"Tivemos de nos virar para tudo. Fomos atrás de bolsa para escola, de psicólogos que não cobrassem, de médicos etc. Nunca houve quem nos trouxesse esse tipo de ajuda. Não houve assistência. O Brasil não tem esse tipo de estrutura. Nem as companhias aéreas nem o governo."

Em países como os EUA, enquanto não se avisam todas as famílias - vão à casa dos familiares-, não é divulgada a lista de passageiros para a imprensa. "Para que não haja o perigo de alguém, um irmão, um pai ou um filho, estar num lugar, ligar a TV ou o rádio e ficar sabendo", diz Assali.

No caso do acidente do avião da TAM, algumas pessoas ficaram sabendo o que houve pela TV. Um garoto, segundo ela, ligou a TV e viu o nome do pai.

O Brasil participará pela primeira vez, a partir do dia 26 deste mês, de um congresso nos EUA do Instituto Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, em inglês) sobre assistência às famílias de vítimas de desastres aéreos.

Segundo Assali, o NTSB atua desde o momento em que acontece o acidente. Toma as primeiras providências, resolve todas as questões legais e verifica se os parentes têm condição de fazer o enterro.


25 de outubro de 1999

Superação

A reviravolta das viúvas

Mulheres que perderam os maridos na queda do avião da TAM, em 1996, reconstroem suas vidas

Carlos Henrique Ramos

Foto: PITI REALI

Heloísa Gouvea, 43 anos, tinha poucas preocupações até a manhã de 31 de outubro de 1996. Casada e feliz, administrava a educação dos filhos com zelo. Não se preocupava nem mesmo com a saúde financeira da casa, cuja responsabilidade era do marido, Luiz Fernando, alto executivo de um banco estrangeiro.

Aquele conto de fadas, no entanto, desmoronou quando o Fokker 100 da TAM explodiu nas ruas do bairro paulistano do Jabaquara, zona sul da cidade. Luiz Fernando era uma das 99 vítimas que estavam no vôo 402, que ia de São Paulo para o Rio de Janeiro.

Hoje em dia, quase três anos depois da tragédia que sensibilizou o País, a ex-modelo, de 1,71m e 61 quilos, mãe de Roberta, 17, Fernando, 16, e Camila, 10, literalmente dançou para superar a morte do companheiro.

 Bailarina profissional desde os 15 anos, estudou em Nova York, nos Estados Unidos, para formar-se em dança moderna. Hoje em dia, discursa com orgulho sobre a walk dance - uma técnica criada por ela, que une caminhada com dança. Helô, como gosta de ser chamada, é um poço de energia. Mantém uma academia própria, no bairro de Pinheiros, dá aula em outros dois locais e ainda participa de convenções pelo Brasil. "Não posso ficar parada", diz.

Curiosamente, o método da walk dance foi desenvolvido nos dias seguintes à morte do marido, sem que Helô percebesse. Naquela época, andava "sem rumo" pelas alamedas do Jardim Paulista, região nobre da capital paulista, para supe-rar o trauma da catástrofe. Dessas caminhadas, aliada com a paixão que sente pela dança, surgiu essa espécie de aeróbica que leva sua assinatura.

 

"A dança ajudou a me levantar emocionalmente." A bailarina namora há dois anos. Mesmo apaixonada, confessa que ainda dói fazer o "videoteipe dos melhores momentos" do passado. "Os dias são longos, mas tenho energia e disposição de sobra para correr atrás da felicidade, por mais que seja difícil", revela.

 

A viúva Fátima Aparecida Vargas também corre atrás da felicidade. A sua história é muito parecida com a de Helô. O marido, José Wilson Nogueira, que tinha um salário mensal de R$ 4,5 mil, era o ponto de equilíbrio da casa. Ele também estava no avião da TAM. A mãe de Camila, 16, e Vinícius, 12, juntou os pedaços com a ajuda dos filhos para dar a volta por cima.

 

Fátima, uma ex-bancária e sem formação superior, com apenas o velho diploma de colegial na gaveta, não se curvou diante das dificuldades com a morte do parceiro, gerente de uma multinacional da área de telecomunicações. Depois de superar a depressão, foi à luta para arrumar um emprego, apesar dos dez anos longe do mercado de trabalho. Para atualizar o currículo, fez curso de digitação. Começou a aprender inglês, mas a pensão de R$ 1 mil que recebe mensalmente a impediu de continuar. "A educação dos filhos é mais importante", admite.

 

Ainda sem emprego, Fátima estuda outras opções para equilibrar o orçamento doméstico. Como não dispõe de capital para abrir um negócio próprio, procura um parceiro que invista numa representação de venda de lingerie. Ela já tem até mostruário de calcinhas e sutiãs. Diariamente, a ex-bancária coloca as peças íntimas dentro de uma bolsa e sai atrás de cliente, de porta em porta, oferecendo os produtos para lojas. "Recuperei minha atitude", garante. "Já não faço mais as coisas como se fosse um robô."

 

A energia que ilumina os passos de Helô e Fátima andou faltando à mineira Veneranda Simões de Almeida, 41 anos, nos 12 meses depois do 31 de outubro de 1996. A morte de Luiz Carlos Simões de Almeida, executivo de uma empresa de bebidas, mudou a rotina daquela mulher que vivia debaixo das asas do marido. "Sempre fui superprotegida", afirma.

 

"Sei que era fútil, pois minha vida se resumia a ir ao shopping, comprar roupa e freqüentar academia", relembra a mãe de Lívia, 19, e Lucas, 14. "Depois de enfrentar essa tragédia, descobri que sou um ser pensante, que tenho condições de aprender alguma coisa."

 

Bem-humorada, Veneranda procura dar um novo sentido a sua existência. Depois de concluir o curso de Comunicação Social, Veneranda agora quer enfrentar a concorrência no mercado de trabalho, mesmo sem nunca ter tido um emprego, de cabeça erguida. No edifício onde mora, no bairro de Moema, na zona sul paulistana, andou sondando alguns amigos publicitários.

 

Até agora, não obteve sucesso. "Tenho consciência de que meu currículo é pobre", diz, resignada. Com a cara e a coragem, foi procurar emprego em estabelecimentos comerciais. Fez várias fichas para o cargo de vendedora em lojas de decoração e roupas nos shoppings em que freqüentava. A esperança é a Internet. Com o auxílio de Lucas, colocou seu currículo na rede mundial de computadores. Por isso, pagou R$ 5. "Estou descobrindo meu potencial."


13 de junho de 2001

Aeromoça da TAM teria facilitado embarque de droga em avião no MS

A Polícia Federal de Corumbá apreendeu 11,6 quilos de cocaína, e não cinco como havia sido divulgado de manhã, com o traficante Adauto Ferreira de Souza Filho, de 59 anos, surpreendido com a droga no aeroporto da cidade minutos antes de embarcar em um vôo comercial para São Paulo.

A Polícia Federal teria confirmado o envolvimento direto da funcionária da TAM, Jussara Paiva, de 33 anos, no tráfico.

Ela teria sido contratada pelo traficante e a mulher dele, Vânia Conceição Arruda Lesmo, de 41 anos, para facilitar o embarque da cocaína em uma aeronave da companhia. A polícia disse que Jussara teria recebido a mala com a droga, por volta das 8h30 de hoje, para fazer o despacho e não passar pela fiscalização da Polícia Federal no aeroporto. Mas a cocaína foi descoberta e os dois traficantes e a funcionária foram presos em flagrante.

Fonte: Campo Grande News

Comentário:

Em 1996 havia cocaína no Fokker 100 que caiu em São Paulo. Quem a colocou no avião? Até hoje não consegui obter essa resposta.

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