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A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE COM

 O FOKKER 100 DA TAM EM 1996

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Tragédia no
Vôo 402
 

O aeroporto superado

Congonhas vive rotina de reformas

BOL 31/10 20h41
De São Paulo


 

A região: localização superpovoada

 

A previsão para o Aeroporto de Congonhas, inaugurado em abril de 1936, é que ele esteja totalmente saturado em daqui a dois anos, segundo o próprio Ministério da Aeronáutica. O tráfego de janeiro a julho deste ano foi de 2 983 053 passageiros embarcados e desembarcados, contra 2 929 488 do Galeão.

O aeroporto , localizado a oito quilômetros do centro de São Paulo, já foi submetido a três reformas - a última, em 1981. Em 1986, os vôos internacionais foram transferidos para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica (Grande São Paulo).

Congonhas é classificado como um aeroporto de médio porte, dedicado exclusivamente a vôos de companhias aéreas regionais e de particulares. Os maiores problemas são sua localização vizinha a uma área densamente povoada, bem no meio da zona sul de São Paulo, e sua evidente defasagem de infra-estrutura aeroportuária.

Suas instalações passam por reformas constantes na tentativa de modernizá-lo. Facilidades como novas lojas, telefones e bancas de jornais já foram construídas. Dentro de alguns meses deve ser iniciada a construção de um edifício-garagem e para 97, os portões de embarque terão "fingers'', corredores pelos quais os passageiros entram no avião sem ter que passar pela pista.

Está sendo completada, além disso, a interligação das cabeceiras das pistas do aeroporto, para diminuir o tempo que os aviões levam para taxiar (manobrar após o pouso ou antes da decolagem).

De acordo com a Infraero, o Aeroporto de Congonhas têm uma média diária de 455 pousos e decolagens. Embarcam diariamente 7 153 pessoas e desembarcam 7 684. Apenas este ano, 124.684 aviões e 4 milhões de passageiros passaram pelo aeroporto.

Aeroporto de Congonhas (SAO)

Telefone: (011) 536-3555

Passageiros embarcados e desembarcados
de janeiro a julho de 96:
2 983 053

Horário de funcionamento:
Segunda a Sexta: das 6h a 22h
Sábado e Domingo: das 7h a 22h

Administração: Infraero

Posição Geográfica: 23º37'32"S / 46º39'21"W

Pistas: 2 (1 939m e 1 437m)

Área Total: 1 640 000m2

Terminal de Passageiros : 37 301m2

Empresas que operam no Aeroporto:
BR Central, Helisul, Nordeste, Pantanal, Rio-Sul, TAM, TransBrasil, VARIG, VASP

Dados de novembro de 1996


 

Tragédia no
Vôo 402
 

Falência da Fokker foi 'morte anunciada'

Folha de S.Paulo (Arquivo) 15/4/96
De São Paulo

A falência da Fokker foi antecedida por uma sucessão de prejuízos a partir de 1992, os quais se agravaram após a cessão de seu controle acionário à alemã Dasa (Daimler-Benz Aerospace). Em outubro de 1995, a Dasa havia anunciado um corte de 8 000 funcionários e o fechamento de três fábricas, tendo contabilizado um prejuízo acima de 1 bilhão de dólares.

Como na Fokker, os maus resultados da Dasa têm pouco a ver com a qualidade dos produtos. Eles incluem de aeronaves regionais a satélites de comunicação e sensoriamento, e de turbinas aeronáuticas à construção de componentes e montagem dos Airbus.

Uma das críticas que se faz à companhia é exatamente a diversificação de sua linha de produtos, distribuídos por dezenas de locais. O colapso do mercado bélico, o dólar fraco e a concorrência cada vez maior no mercado aeronáutico tiveram uma parcela de culpa no fraco desempenho da Dasa.

Não é de surpreender que os alemães se "apaixonassem" pela tradicional Fokker e seus bem-sucedidos produtos para a aviação comercial: o Fokker F-100 e o turboélice Fokker-50. Acontece que a Fokker já entrou na união com a sua saúde econômica abalada. A morte da empresa foi anunciada em 22 de janeiro ao se concretizar a intenção da Dasa de retirar o apoio financeiro.

Empresa holandesa criou o jato regional

Anthony Herman Gerard Fokker nasceu a 6 de abril de 1870 em Java, então colônia holandesa na Ásia. O jovem Fokker sempre se interessou mais por máquinas a vapor, trens elétricos e invenções, do que pelas aulas.

Aos 20 anos, ele foi à Alemanha fazer um curso de mecânica de automóveis. Seus pais esperavam que ele adquirisse uma profissão. Seduzido pelo vôo, Fokker construiu seu primeiro avião em 1910. Ele recebeu o nome de "Spin" ("Aranha"). Foi com ele que Fokker conseguiu a licença de piloto.

Em 1919, terminada a Primeira Guerra Mundial, Fokker retornou à Holanda e, com 29 anos, fundou a Netherlands Aircraft Factory.

Os primeiros modelos reuniam características que se tornariam padrão: uma fuselagem tubular em aço soldado e asas de madeira com aerofólios de perfil grosso.

Ainda no primeiro ano da fábrica, Fokker projetou o F-2, que se tornaria o precursor de uma família de aeronaves comerciais. Era um monoplano de asa alta para quatro passageiros acomodados numa cabine bem-acabada. Equipado com um motor de 185 cavalos, podia voar a 160 km/h. Em seguida veio o mais potente F-3 e o F-4, de 11 lugares, que estabeleceu vários recordes de autonomia, distância e velocidade.

O maior feito foi a travessia em 27 horas dos EUA (1922). O F-4 está no Museu Nacional de Aeronáutica e Espaço, em Washington.

Em 1924, o F-7 foi lançado como aeronave comercial para oito passageiros, tornando-se pioneiro nos vôos entre a Holanda e a colônia das Índias Orientais (Ásia).

Ao final da década de 20, a Fokker se tornou um dos maiores fabricantes de aeronaves no mundo. O F-7 deu origem ao F-7b/3m, um trimotor que foi o mais bem-sucedido avião comercial da época, sendo operado pela maioria das grandes companhias aéreas da Europa, EUA, Austrália e Ásia.

Entre os feitos dos trimotores Fokker estão o primeiro vôo sobre o Pólo Norte, a ligação entre San Francisco e a Austrália e a primeira travessia do oceano Atlântico por uma mulher, Amelia Earhart. Em 1934, em clima pré-conflito mundial, Fokker concentrou-se em projetos militares.

Anthony Fokker morreu em Nova York aos 49 anos, vítima de meningite. Pouco depois, desapareceu a fábrica na Holanda, destruída na Segunda Guerra Mundial. A Fokker renasceu das cinzas em 1945, com um pequeno grupo de ex-funcionários que investiram em aviões de treinamento militar. Mas ela se preparou para disputar novamente o mercado comercial, projetando o F-27, que se tornou o turboélice mais vendido no mundo, com 768 produzidos. O F-28, lançado em 1969, foi o primeiro jato regional no mundo, somando 241 unidades vendidas.

Seus sucessores, o turboélice Fokker-50 e os aviões a jato Fokker-100 e Fokker-70, foram a base comercial da empresa até o início de 1996.

Ernesto Klotzel


TRAGÉDIA E PRÊMIOS

 

A TAM RECEBEU DIVERSOS PRÊMIO EM 1996. ALGUNS DELES QUESTIONÁVEIS.

- A TAM ganhou medalha de prata com o case TAM Fidelity Cards no Festival de Nova York.

- A TAM foi eleita pela 2a vez a Melhor Empresa Aérea na Categoria de Transportes da edição Melhores e Maiores da revista Exame.

- A TAM foi eleita a empresa mais rentável do Brasil pelo jornal Folha de São Paulo.

- A TAM foi eleita a 2a empresa mais rentável da Bolsa pela revista Conjuntura Econômica.

- A TAM foi eleita a companhia aérea mais rentável do mundo pela revista Airline Business.

- A TAM ganhou o Grand Prix de anunciante do ano, no Prêmio Colunistas do Caderno de Propaganda e Marketing.

- O Comandante Rolim recebeu o Prêmio Excelência 1996 da Associação dos Engenheiros do ITA.

- A TAM foi eleita a Melhor Empresa de Transporte no Brasil pela revista Transporte Moderno.

- Comandante Rolim recebeu o Prêmio Personalidade Aérea de 1996 da Revista Aérea, editada em Nova York.

- Comandante recebeu o Prêmio Excelência 1996 da revista América Economia, editada nos Estados Unidos.

- A TAM foi eleita líder empresarial do setor de transportes e armazenagem, e líder empresarial do Estado de São Paulo pelo jornal Gazeta Mercantil, publicado na revista Balanço Anual.


EMPRESA DO ANO!

A revista Exame – Melhores e Maiores elegeu a TAM para receber o título de Empresa do Ano. À parte a polêmica decorrente da escolha, um rastreamento feito pelo Instituto Gutenberg nas páginas de Melhores e Maiores mostra que a revista é imprecisa, erra com freqüência, os critérios técnicos são maleáveis, mudam sem justificativa e podem ser distorcidos pela equipe editorial.

A TAM pousou na pista da vitória num vôo por instrumento: a Empresa do Ano foi escolhida não pelo desempenho, mas num julgamento “editorial e jornalístico”


Ano 7 - Nº 22
1º Trimestre de 1997

Os desafios da mídia institucional

Reconhecer a cidadania do leitor é a contribuição do jornalismo praticado nos veículos dirigidos para a construção de uma sociedade mais humana e menos tecnicista.

por Alberto Dines

Trechos do artigo:Palavras mágicas

"Vejamos o que ocorre no Brasil. Entre as tantas distorções que enfrentamos, e que muito têm a ver com a tecnocracia, está o uso de certas palavras mágicas. O Brasil descobriu o marketing, por exemplo. E como somos exagerados, subitamente o marketing virou uma espécie de deus, uma panacéia geral, um quebra-galho irrestrito. Temos o marketing de relacionamento, o marketing de produtos, o marketing de guerra, o marketing cultural, o endomarketing etc etc. (...)"

(...) "O que significa a palavra marketing? É um ramo da sociologia aplicado às reações do mercado. Ocorre que a sociedade é maior do que o mercado. A sociedade se compõe de vários mercados e estes são muito dinâmicos. Os mercados mudam, mas a sociedade é permanente. (...)

(...) Passemos ao exemplo da TAM, uma conhecida empresa de aviação regional. Em 31 de outubro de 1996, uma de suas aeronaves, que fazia o vôo 402 da Ponte Aérea Rio-São Paulo, sofreu uma pane e caiu logo depois de decolar do aeroporto de Congonhas. No rescaldo do acidente em que morreram 98 pessoas, a companhia deu a cara para bater e assumiu a responsabilidade de fazer todo o possível para minorar o sofrimento das famílias atingidas pelo desastre. Mesmo depois da tragédia, o comandante Rolim Amaro, presidente da TAM, continuou a receber seus passageiros à escada dos aviões, às 7 da manhã, em Congonhas, repetindo um procedimento que já adotara muito antes do acidente. Toda as manhãs, lá está ele recepcionando seus passageiros, oferecendo-lhes aquelas balinhas, dizendo uma palavra amena, fazendo uma piada. Em geral a piada é a mesma, mas isso não tem a menor importância. "Estou recebendo vocês à bala", é o que ele costuma dizer. O importante nesse caso é que Rolim se mantém disponível, inclusive para eventualmente ouvir alguém falar: "Você é um criminoso, a sua companhia matou 98 pessoas". Ninguém diz isso porque ali está o exemplo vivo da humanização de uma empresa. A TAM sempre foi a cara do comandante Rolim. (...)

Comentário:

O jornalista Alberto Dines antecipou o que viria a ser tema de diversas teses sobre marketing. A maneira como a TAM lidou com o pós-acidente é aclamada por profissionais e estudantes de marketing como um exemplo a ser seguido, um modelo baseado em informações inverídicas passadas a imprensa (contando com a falha desta em não ouvir o outro lado) e muito jogo de cena da empresa.

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