São Paulo, sexta, 1 de agosto de 1997.
Familiares de mortos na queda de avião em SP há 9 meses acusam atraso na investigação
Parentes de vítimas pedem laudo
da Reportagem Local
Parentes de vítimas da
queda do Fokker-100 da TAM, que deixou
99 mortos em outubro de 96, em São
Paulo, fizeram ontem um protesto no
Aeroporto de Congonhas (SP) contra o
atraso na divulgação do relatório que
vai apontar as causas do acidente.
O laudo está sendo elaborado há nove meses por uma comissão formada por técnicos da Aeronáutica, da TAM, da Fokker e de outras empresas aéreas. Não há prazo para sua divulgação.
As famílias alegam que precisam do relatório para saber de quem exigirão indenizações que, em alguns casos, podem chegar a US$ 2 milhões.
Alguns familiares pretendem ingressar com ação na Justiça contra a TAM, com base no Código de Defesa do Consumidor. Outros pretendem, de posse do laudo, acionar os fabricantes de peças do avião que tenham contribuído para o acidente.
No protesto de ontem, sete viúvas de passageiros mortos no acidente e alguns filhos das vítimas, todos vestidos de preto, distribuíram panfletos para os passageiros que embarcavam no aeroporto de Congonhas.
No manifesto, as famílias pedem que seja instaurado inquérito para responsabilizar civil e criminalmente as autoridades da Aeronáutica responsáveis pelo atraso na divulgação do laudo.
"Faz nove meses que esperamos um papel que diga: 'Seus maridos morreram por tal causa"', diz Suzana Greco de França.
Suzana é secretária da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos, entidade criada pelos familiares das vítimas do vôo 402, mas que pretende defender vítimas de outros acidentes.
Os manifestantes chegaram a ser impedidos de panfletar dentro do aeroporto de Congonhas por agentes da Infraero, mas puderam fazer o protesto depois da chegada das emissoras de televisão.
Contra-ataque
Informada sobre o protesto, a TAM reforçou o atendimento nos estandes de venda de passagem e nos balcões de check-in da empresa. O vice-presidente da companhia, Luiz Falco, chegou a despachar pessoalmente a bagagem de alguns passageiros.
Segundo o assessor da presidência, Paulo Pompílio, também presente ao aeroporto, é comum o vice-presidente fazer esse tipo de trabalho, para mostrar que a empresa valoriza o cliente.
Sobre o protesto, Pompílio disse que "as viúvas têm direito de protestar". A TAM, segundo ele, só se pronuncia sobre o acidente depois da divulgação do laudo.
Comentário:
É comum o vice-presidente de uma empresa aérea atender no balcão de check-in? Acredito que se o protesto fosse no balcão, por exemplo, por atraso nos vôos ou overbooking ele não apareceria. Mas para desviar a atenção do justo protesto da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos vale tudo. Leia o relato de Luis Antonio de Morais na matéria "A Bronca do Consumidor" sobre esse tema.




