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A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE COM

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São Paulo, quinta, 7 de agosto de 1997

AVIAÇÃO

Aeronáutica reconhece falha em Fokker-100

da Reportagem Local

O Ministério da Aeronáutica reconheceu pela primeira vez publicamente a ocorrência de falha de projeto no Fokker-100 da TAM que caiu em São Paulo, no dia 31 de outubro do ano passado, matando 99 pessoas.

A informação consta de ofício encaminhado no dia 9 do mês passado ao deputado federal Eduardo Jorge (PT-SP), que havia requisitado informações sobre a demora na divulgação do laudo final com as causas do acidente.

Na resposta, o tenente-brigadeiro-do-ar Masao Kawanami, do DAC (Departamento de Aviação Civil), afirma que uma modificação feita pela Fokker no projeto de acionamento do reverso do avião possibilitou a falha que derrubou a aeronave.

Na ocasião, o reverso, um tipo de marcha à ré da turbina, foi acionada na decolagem, hipótese que a Fokker considerava "muito remota".


São Paulo, sexta, 15 de agosto de 1997

Laudo do vôo 402 ainda não tem prazo para ser divulgado

da Reportagem Local

A resolução do caso do vôo 283 por parte da Polícia Federal e da Aeronáutica, em pouco mais de um mês, contrasta com a demora na solução da queda do Fokker-100 da TAM, em 31 de outubro do ano passado, cujas causas ainda não foram divulgadas.

O laudo sobre o acidente, que não tem prazo para ser divulgado, está a cargo de uma comissão formada por técnicos da Aeronáutica, Fokker, TAM e órgãos governamentais aeronáuticos da Holanda, onde o avião foi fabricado.

As famílias de pelo menos 80 das 99 pessoas que morreram no acidente aguardam o relatório da comissão para poder decidir contra quem impetrarão ações judiciais cobrando indenizações.

Na última segunda-feira, um grupo de advogados deu entrada nos Estados Unidos à primeira ação de indenização referente ao acidente contra empresas norte-americanas que fabricam peças do avião acidentado.

A vítima, uma viúva norte-americana, alega na ação que os fabricantes têm responsabilidade sobre o defeito de seus produtos e que foram negligentes.
Segundo os advogados representantes dos familiares, outras 33 ações idênticas seriam impetradas nos dias seguintes.

A ação dá margem para que dez empresas figurem como acusadas. Mas, por conta do atraso nas investigações, apenas duas delas foram identificadas e nominalmente citadas: Northroup Gruman e Teleflex.

A Gruman é fabricante do reverso, tipo de marcha à ré da turbina usada em pousos e que teria operado inadvertidamente durante a decolagem do Fokker, desestabilizando o avião.

A Teleflex é fabricante de cabos que evitam o funcionamento do reverso quando o motor está em potência máxima e que falhou na ocasião, agravando a situação.

Comentário: Mas não era no final de julho?...


São Paulo, quarta, 20 de agosto de 1997

Procurador pede ao STJ dados do Fokker

da Reportagem Local

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, impetrou ontem mandado de segurança no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra o ministro da Aeronáutica, Lélio Viana Lôbo, exigindo a entrega de dados referentes ao acidente com o Fokker-100 da TAM, em 31 de outubro do ano passado.

A queda do avião, em São Paulo, matou 99 pessoas. O laudo sobre as causas do acidente, que está sendo elaborado por uma comissão de técnicos da Aeronáutica e da TAM, entre outros, não tem prazo para ser divulgado.

Segundo Marrey, o ministro descumpriu a lei ao não apresentar os seguintes documentos, requeridos em junho deste ano: cópias dos documentos reunidos na investigação, cópias das transcrições das caixas-pretas do avião e dados das testemunhas ouvidas.

A decisão do procurador tem como objetivo possibilitar o andamento do inquérito policial instaurado para investigar o acidente.

O Ceconsaer (Centro de Comunicação Social da Aeronáutica) informou ontem que as investigações de seus técnicos não têm como objetivo instruir processo criminal, mas sim prevenir novos acidentes.

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