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A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE COM

 O FOKKER 100 DA TAM EM 1996

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Acidente com Fokker 100 da TAM completa 10 anos

Sexta, 27 de outubro de 2006

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

 

Foto: arquivo pessoal

Jorge Tadeu da Silva

Propriedade da foto: Jorge Tadeu da SilvaO acidente com o Fokker 100 da TAM que deixou 99 mortos em 31 de outubro de 1996 completa 10 anos sem que todas as vítimas ainda tenham sido indenizadas. O avião prefixo PT-MRK caiu no bairro do Jabaquara, em São Paulo, logo depois de decolar do aeroporto de Congonhas. O vôo 402 - como ficou conhecido - tinha como destino o Rio de Janeiro.

Entre os 99 mortos estavam 90 passageiros, seis tripulantes, e três pessoas que foram atingidas no solo. Durante a queda, o avião bateu em três prédios e oito casas. Há registro de 14 carros incendiados.

Decorridos dez anos do acidente, cerca de 10% dos processos de indenização foram encerrados pela Justiça. Há processos correndo na Justiça brasileira e também nos Estados Unidos.

De acordo com Sandra Assali, presidente da Associação Brasileira de Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos, as pendências que restam estão relacionados a acertos entre famílias e advogados.

"É uma luta de dez anos e tivemos muita dificuldade para chegar a um acordo com a TAM. Mas depois de tanto tempo é natural que a maioria das famílias já tenha sido indenizada. Não poderia ser diferente."

A TAM informa por meio de comunicado que as demandas pendentes extrapolam os limites de atuação da companhia.

Entre elas desentendimentos entre familiares e advogados para viabilizar a finalização dos acordos.

Causas da tragédia

O vôo do Fokker 100 durou cerca de dois minutos. Às 8h26 daquela quinta-feira, o piloto José Antônio Moreno, 35 anos, e o co-piloto Ricardo Luís Gomes Martins, 27 anos, iniciaram a decolagem.

Já na cabeceira da pista, o avião mostrava dificuldades para decolar. Os radares do Centro Integrado de Defesa Aérea (Cindacta) registraram que a aeronave estava com pouca altitude e velocidade abaixo da prevista logo que deixou o solo.

Logo depois que tirou o trem de pouso do solo, o Fokker 100 teve uma pane no reversor da asa direita. O equipamento funciona como um freio das aeronaves no momento da aterrissagem.

Com o reversor acionado, o avião não conseguiu ganhar velocidade e altura para decolar e começou a pender para a direita. A desestabilização foi rápida demais para o piloto tentar qualquer manobra de emergência.

Pouco depois de sair do chão, a dois quilômetros do aeroporto de Congonhas, o avião bateu com a asa direita em um prédio de três andares e às 8h28 explodiu. Os destroços atingiram outros prédios, concentrados na rua Luís Orsini de Castro.

Redação Terra


Na queda, trem de pouso fica dentro de quarto

Sábado, 28 de outubro de 2006

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

 

Jorge Tadeu observa o trem de pouso do Fokker 100 da TAM, que entrou pela janela da casa

 

Foto: arquivo pessoal

Jorge Tadeu da Silva

Propriedade da foto: Jorge Tadeu da SilvaDez minutos depois do acidente com o Fokker 100 da TAM, que caiu no bairro do Jabaquara em 31 de outubro de 1996, o professor de Língua Portuguesa Jorge Tadeu recebeu uma notícia pelo irmão. "Um avião caiu sobre sua casa".

Mesmo morando em um local em que centenas de aviões passam diariamente sobre as residências, o professor achou que se tratava de uma brincadeira. "Meu irmão insistia que era verdade. Foi quando percebi que havia acontecido mesmo", lembra.

A escola onde Tadeu dava aula era próxima ao local do acidente. No trajeto, feito a pé, já se podia perceber a fumaça que tomava conta da rua Luís Orsini de Castro, a mais atingida pela aeronave.

Tadeu ficou bastante apreensivo, já que no sobrado ao lado do seu moravam seus pais. Por sorte, eles nada sofreram. "As duas casas foram bastante atingidas. O trem de pouso da aeronave caiu dentro de um dos quartos", afirma. Parte da cauda caiu na garagem e uma das turbinas atingiu o carro de seu pai.

Tadeu conta que chegou ao local do acidente ainda antes do corpo de bombeiros. Como o combustível do avião se espalhou, havia vários focos de incêndio pela vizinhança. "É uma cena que me marca até hoje. Sempre que vejo imagens de destruição, de guerra, lembro daquele dia".

Tadeu é um dos que ainda está na Justiça contra a TAM, aguardando indenização. Além dos danos no imóvel, ele exige na Justiça reparos por danos morais e por lucro cessante, já que perdeu tudo que havia no interior da casa, inclusive o computador que utilizava para trabalhar.

"É um processo longo e desgastante, com recursos em cima de recursos. Em uma previsão otimista, tudo deve estar resolvido em 2010", diz.

Problemas com a polícia

Ele conta que no dia da queda do avião viveu duas situações inusitadas. A primeira envolve a polícia: foram encontrados mais de 2kg de cocaína em frente à sua casa, que provavelmente estariam dentro do avião.

"No meio daquele caos todo ainda tive de dar explicações à polícia", recorda.

Outra situação desagradável aconteceu no dia seguinte à queda do avião, em 1º de novembro de 1996. "Fiscais da prefeitura compareceram à minha casa e me entregaram uma intimação cobrando que as reformas fossem feitas em um prazo de dez dias. Foi muita insensibilidade", diz.

Menos de 24 horas depois, com a repercussão do fato, o administrador regional, responsável pela fiscalização, foi exonerado pelo prefeito.

Redação Terra

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