
Na queda, trem de
pouso fica dentro de quarto
Sábado, 28 de outubro
de 2006
Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
Jorge Tadeu observa o
trem de pouso do Fokker 100 da TAM, que entrou pela janela da casa
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Foto: arquivo
pessoal
Jorge Tadeu da
Silva |
Dez
minutos depois do acidente com o Fokker 100 da TAM, que caiu no
bairro do Jabaquara em 31 de outubro de 1996, o professor de Língua
Portuguesa Jorge Tadeu recebeu uma notícia pelo irmão. "Um avião
caiu sobre sua casa".
Mesmo morando em um local em que centenas de aviões passam
diariamente sobre as residências, o professor achou que se tratava
de uma brincadeira. "Meu irmão insistia que era verdade. Foi quando
percebi que havia acontecido mesmo", lembra.
A
escola onde Tadeu dava aula era próxima ao local do acidente. No
trajeto, feito a pé, já se podia perceber a fumaça que tomava conta
da rua Luís Orsini de Castro, a mais atingida pela aeronave.
Tadeu ficou bastante apreensivo, já que no sobrado ao lado do seu
moravam seus pais. Por sorte, eles nada sofreram. "As duas casas
foram bastante atingidas. O trem de pouso da aeronave caiu dentro de
um dos quartos", afirma. Parte da cauda caiu na garagem e uma das
turbinas atingiu o carro de seu pai.
Tadeu conta que chegou ao local do acidente ainda antes do corpo de
bombeiros. Como o combustível do avião se espalhou, havia vários
focos de incêndio pela vizinhança. "É uma cena que me marca até
hoje. Sempre que vejo imagens de destruição, de guerra, lembro
daquele dia".
Tadeu é um dos que ainda está na Justiça contra a TAM, aguardando
indenização. Além dos danos no imóvel, ele exige na Justiça reparos
por danos morais e por lucro cessante, já que perdeu tudo que havia
no interior da casa, inclusive o computador que utilizava para
trabalhar.
"É
um processo longo e desgastante, com recursos em cima de recursos.
Em uma previsão otimista, tudo deve estar resolvido em 2010", diz.
Problemas com a polícia
Ele
conta que no dia da queda do avião viveu duas situações inusitadas.
A primeira envolve a polícia: foram encontrados mais de 2kg de
cocaína em frente à sua casa, que provavelmente estariam dentro do
avião.
"No
meio daquele caos todo ainda tive de dar explicações à polícia",
recorda.
Outra situação desagradável aconteceu no dia seguinte à queda do
avião, em 1º de novembro de 1996. "Fiscais da prefeitura
compareceram à minha casa e me entregaram uma intimação cobrando que
as reformas fossem feitas em um prazo de dez dias. Foi muita
insensibilidade", diz.
Menos de 24 horas depois, com a repercussão do fato, o administrador
regional, responsável pela fiscalização, foi exonerado pelo
prefeito.