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São Paulo, sábado, 31 de outubro de 1998
Família pede indenização de R$ 10 mi
da Reportagem Local
A maioria das famílias dos 89
passageiros que morreram na queda no vôo
402, no dia 31 de outubro do ano de
1996, iniciou nesta semana a batalha
judicial contra a TAM pedindo
indenizações que variam de R$ 2 milhões
a R$ 10 milhões.
A TAM informou que 23 famílias aceitaram
o acordo proposto pelas seguradoras da
empresa, baseada em convenções
internacionais, que previam o pagamento
de US$ 145 mil.
Ao assinar o acordo, as famílias deram
como quitadas a dívida com a empresa.
De acordo com a legislação dos acidentes
aéreos, o prazo para que as famílias
entrassem na Justiça pedindo indenização
terminou ontem.
"Deixamos para a última hora porque
ficamos esperando a conclusão do
inquérito e também para ver se
receberíamos uma proposta mais decente
do que essa dos US$ 145 mil", disse a
presidente da Abrapavaa (Associação de
Parentes e Amigos das Vítimas de
Acidentes Aéreos), Sandra Assali.
Como o inquérito policial não apontou o
culpado pelo acidente, as famílias
entraram com ação utilizando o Código de
Defesa do Consumidor.
O único valor que as famílias
que não aceitaram o acordo receberam até
agora é o seguro obrigatório de R$
17.774, previsto no Código
Brasileiro de Aeronáutica.
Além do processo que começou a correr no
Brasil, 65 famílias também entraram com
ação de indenização nos Estados Unidos
contra três fabricantes das peças que
apresentaram defeito no Fokker-100: a
Northorp Gruman, Teleflex e também a
Allied Signal.
Segundo o advogado Renato Guimarães
Júnior, que acompanha a ação no
exterior, os pedidos de indenização são
de R$ 20 milhões para cada família.
Também foram incluídos no processo a TAM
e a Fokker, que fabrica o avião.
A TAM informou que as
seguradoras ligadas à empresa pagaram
cerca de US$ 7 milhões em indenizações
para as vítimas do acidente.
Desse total,
US$ 3,5
milhões para cobrir os danos ocorridos
no solo.
Pelo menos seis famílias que moravam na
rua Luís Orsini de Castro, no Jabaquara,
zona sudoeste, entraram com processo na
Justiça alegando que o valor foi
insuficientes para cobrir os prejuízos.
Segundo o
advogado, o relatório final apresentado
pela Aeronáutica omitiu alguns anexos.
Entre eles, estariam três pareceres de
órgãos de investigação internacionais
com informações contrárias às apresentas
no documento.
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São Paulo, quarta, 18 de novembro de
1998
Justiça dá liminar para 8 famílias
A
22ª Vara Cível de São Paulo concedeu
liminar garantindo tutela antecipada na
ação indenizatória movida por oito
famílias de vítimas que morreram na
queda do vôo 402 da TAM. O acidente
aconteceu no dia 31 de outubro de 1996,
matando 99 pessoas, no Jabaquara, zona
sudoeste de São Paulo.
A tutela
antecipada obriga a TAM a fazer um
depósito judicial de R$ 150 mil para
cada uma das famílias beneficiadas pela
liminar. O dinheiro deverá
ser depositado em dez dias, sem que as
famílias sejam obrigadas a renunciar a
outros pedidos de indenização, que
variam de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões.
O valor de R$ 150
mil faz parte do acordo de indenização
proposto pelas seguradoras da TAM.
A
empresa informou que vai recorrer na
Justiça
porque os laudos confirmaram que ela não
teve culpa na falha que causou a queda
do Fokker-100.
* RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM
01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
Valor disponível para indenizações deste
acidente (coberto por seguro)
400 milhões de dólares
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São Paulo, quinta, 19 de novembro de
1998
JUSTIÇA
Companhia informou que vai
recorrer da sentença
Justiça obriga TAM a pagar R$ 1 mi a
filho de vítima
RODRIGO VERGARA
da Reportagem Local
A Justiça de São Paulo concedeu ontem a
primeira indenização de mais de R$ 1
milhão (exatos R$ 1,009 milhão) para um
parente de uma vítima da queda do avião
da TAM no Jabaquara, em São Paulo, em 31
de outubro de 96. No acidente, morreram
99 pessoas.
A TAM
informou ontem que não havia sido
intimada sobre o resultado da ação, mas
adiantou que vai recorrer da sentença.
Isso deve adiar por pelo menos dois anos
o pagamento de alguma indenização.
O autor da ação é Marcelo Eduardo
Locatelli Gasparian, filho do executivo
Arthur Eduardo Gasparian, que morreu no
acidente.
Parte da indenização serviria para
cobrir "danos patrimoniais". Filho de
pais separados, Marcelo recebia 10% do
salário do pai como pensão. A sentença
de ontem, do juiz James Alberto Siano,
titular da 24ª Vara Cível de São Paulo,
obriga a TAM a restabelecer a pensão por
11 anos.
O prazo é calculado pela diferença entre
a idade do pai de Marcelo na data de sua
morte (54 anos) e a expectativa média de
vida do homem brasileiro (65 anos). Após
os 65, raciocina a Justiça, ele estaria
morto, e Marcelo não receberia a pensão,
de qualquer maneira.
Por essa conta, Marcelo teria direito a
R$ 1.568 mensais, corrigidos, durante 11
anos, equivalentes a 10% do último
salário do pai (R$ 15.980). Sem
correção, isso dá um total de R$ 210
mil.
Danos morais
A sentença ainda prevê o pagamento de R$
799 mil como compensação pelos "danos
morais" causados pela perda do pai.
O juiz calculou esse valor como sendo 50
vezes o último salário do executivo
morto no acidente.
A advogada de Marcelo, Regina Marília
Prado Manssur, informou ontem que irá
pedir a antecipação do valor que a TAM
ofereceu como indenização para cada
vítima do acidente.
A reparação oferecida é de cerca de R$
150 mil. Mas, no caso de Marcelo, sua
mãe, Maria Aparecida Locatelli Gasparian,
ex-mulher do executivo, já havia ganho
na Justiça o direito a 8,5% desse total.
O percentual é igual à parcela do
salário do ex-marido a que ela tinha
direito quando ele era vivo.
Assim, Marcelo irá requisitar o
pagamento, imediato, do restante, cerca
de R$ 137 mil. A advogada já havia
tentado a antecipação, mas a Justiça
negou o primeiro pedido.
RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM 01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
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São Paulo, sábado, 20 de março de 1999
Juiz manda TAM pagar indenização de R$ 2
mi
JOSÉ MASCHIO
da Agência Folha, em Londrina
O juiz da 6ª Vara Cível de Londrina
(PR), Celso Seikite Saito, condenou a
TAM a pagar indenização de R$ 2 milhões
à família da relações-públicas Flávia
Regina Vilela Staot, morta no acidente
da TAM, em São Paulo, em 31 de outubro
de 1996. O acidente matou 99 pessoas. Na
sentença, de 11 de março último, o juiz
estabelece as quantias de R$ 1 milhão
por danos materiais e R$ 1 milhão por
danos morais. A TAM pode recorrer. Ao
requerer a indenização,
os advogados da família,
Antônio Sebastião de Lima e Cícero da
Silva,
se basearam no Código de Defesa do
Consumidor e não nas leis aeronáuticas
do país.
A mãe de Flávia, a professora aposentada
Lúcia Marina Vilela Staot, diz que o
valor decidido pelo juiz Saito "não
cobre nenhum sofrimento pela perda de
Flávia, mas poderá servir de alerta para
que as companhias aéreas pensem mais em
questões como manutenção e segurança de
suas aeronaves''. A Agência Folha não
conseguiu falar ontem com o setor
jurídico da TAM.
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São Paulo, Sexta-feira, 30 de Abril de
1999
PERIGO NO AR
Quantia virá de fabricantes
estrangeiros de peças apontadas como
causa de acidente que matou 99 em 1996
Juiz manda depositar R$ 11 mi no caso
TAM
MALU GASPAR
da Reportagem Local
Dois fabricantes estrangeiros de
componentes do avião da TAM que caiu em
96, matando 99 pessoas, terão de
depositar R$ 11 milhões como garantia
para eventual derrota em processo movido
pelas famílias das vítimas.
A decisão é provisória e pode sofrer
recurso. A 2ª Vara Cível do Fórum
Regional Jabaquara, na capital,
determinou que a Teleflex - que fabricou
um cabo de segurança que se soltou- e a
Northrop - que produziu um relé suspeito
de ter falhado - depositem R$ 500 mil à
disposição da Justiça para cada família
que pede indenização pelo acidente.
Nesse processo, 22 famílias pedem
indenização.
Segundo o promotor Nelson Sampaio de
Andrade, que fez o pedido da medida
cautelar, a decisão do juiz pretende
garantir que a empresa tenha dinheiro
para pagar eventual indenização.
Caso a
sentença final dê ganho às famílias, o
valor a ser recebido pode ser maior ou
menor que o depositado pelas empresas.
O laudo da Aeronáutica sobre o acidente
concluiu que defeitos nessas duas peças
do avião foram causas do acidente, por
permitirem abertura indevida do reverso.
O reverso é um dispositivo que, mudando
de posição as conchas metálicas que
envolvem a turbina, funciona como uma
espécie de marcha à ré. No acidente do
Fokker-100 da TAM, ele abriu no momento
em que o avião decolava. Por isso, em
vez de ganhar velocidade, a aeronave
caiu.
Segundo a Aeronáutica, o relé -tipo de
interruptor elétrico- falhou e permitiu
o acionamento do reverso na decolagem.
Além disso, o cabo de segurança deveria
ter impedido que o motor do avião fosse
acelerado com o reverso aberto. Mas o
sistema se soltou.
O promotor afirmou que, caso as duas
empresas não depositem a quantia
determinada pelo juiz, a Justiça
brasileira terá de recorrer à
norte-americana para cobrar a
indenização. Isso porque nem a Northrop
nem a Teleflex têm representação no
Brasil.
Outras 65 famílias de vítimas do
acidente entraram com ação na Justiça
americana. Eles tomaram essa decisão por
considerarem a Justiça dos EUA mais ágil
e a legislação mais avançada no que se
refere a indenizações.
Segundo os advogados das famílias, a
indenização nos Estados Unidos abrange
prejuízos não considerados no Brasil,
como o "dano potencial" - prosperidade
econômica que a vítima atingiria pelo
progresso em sua carreira profissional
se estivesse viva.
Essa ação está suspensa, porque a
Justiça dos EUA quer primeiro verificar
se o Judiciário brasileiro age com
rapidez no caso. A decisão sobre a
caução pode ser interpretada como prova
disso e fazer com que os EUA rejeitem a
ação.
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São Paulo, quarta, 19 de maio de 1999
Viúvas de acidente da TAM têm
audiência
Familiares de vítimas da queda do avião
da TAM em SP, em 31 de outubro de 96,
saem de audiência com representantes de
empresas norte-americanas que fabricaram
peças da aeronave. Havia uma
possibilidade de acordo, que não foi
aceita pelas empresas, que propuseram a
inclusão, como réus, da TAM e da empresa
holandesa Fokker, fabricante do avião,
que está falida.
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São Paulo, sábado, 12 de junho de 1999
TAM terá de adiantar R$ 105 mil a
família
Da Reportagem Local
A TAM terá de pagar antecipadamente
parte da indenização para a família do
italiano Frederico Marina, uma das
vítimas da queda do avião Fokker 100, em
1996.A empresa aérea perdeu anteontem no
STJ (Superior Tribunal de Justiça) a
última oportunidade de evitar o
pagamento antecipado.Um tribunal de São
Paulo havia determinado que a TAM
pagasse antecipadamente à família 70%
(R$ 105 mil) de um total de R$ 150 mil
aprovado pela seguradora da empresa.
A TAM recorreu ao STJ,
argumentando que sua culpa não ficou
comprovada ainda. O STJ negou o pedido
da TAM afirmando que o pagamento
antecipado é justo para as famílias e
não trará prejuízos à empresa, que será
ressarcida pela seguradora.
Apesar de a
decisão valer apenas para um processo,
de uma única família, ela deverá ser
anexada aos processos de todas as demais
73 famílias que movem ações na Justiça
contra a TAM e levada em conta pelos
juízes em suas próximas decisões. Para
Sandra Assali, presidente da Associação
de Parentes e Amigos das Vítimas de
Acidentes Aéreos, a decisão foi um
grande trunfo para todas as famílias
porque "qualquer juiz vai estar
consciente disso".
Em nota à imprensa, a TAM afirmou que,
assim que a decisão for publicada, "irá
cumprir o que vier a ser determinado em
decisão final". A empresa, entretanto,
entende que qualquer pagamento de
indenização só deveria ocorrer após a
comprovação de sua culpa.
Em outra
decisão, o juiz Jorge Farah, do 1º
Tribunal de Alçada Civil, concedeu uma
liminar que anula os efeitos de uma
outra liminar que determinava à empresa
Northrop, que produziu um relé para o
avião suspeito de ter falhado, que
depositasse em juízo R$ 500 mil para
cada família de vítimas do acidente para
servir como garantia em uma possível
condenação da empresa pelo
acidente.Segundo o advogado Renato
Guimarães, que representa as famílias,
essa decisão é "um novo desastre" para
as vítimas.
RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM 01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
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