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A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE COM

 O FOKKER 100 DA TAM EM 1996

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São Paulo, terça, 7 de abril de 1998

VÔO 402

Empresa pagará R$ 12.750 por acidente

Justiça dá 1ª sentença contra a TAM

RODRIGO VERGARA
da Reportagem Local

A companhia aérea TAM deve pagar, até a próxima segunda-feira, a primeira indenização determinada pela Justiça por danos causados pela queda de um avião Fokker-100 em São Paulo, em 31 de outubro de 1996, que matou 99 pessoas.
A decisão, do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi publicada ontem e tem prazo de cinco dias para ser cumprida. A TAM informou que irá recorrer, mas o recurso não suspende o pagamento.

A indenização foi fixada em R$ 12.750 e será depositada em nome de Maria Aparecida Locatelli Gasparian, ex-mulher do executivo Arthur Eduardo Gasparian, morto no acidente. Quando vivo, Arthur destinava 8,5% de sua renda à ex-mulher.
A decisão do TJ respeita essa proporção. A reparação determinada corresponde a 8,5% de R$ 150 mil, valor que a TAM sempre ofereceu como indenização a cada vítima fatal. A diferença entre a decisão judicial e a oferta da empresa é que a TAM exigia que o familiar assinasse um termo dando como satisfeitos seus direitos.

A sentença de ontem obriga a TAM a pagar a quantia que havia oferecido como justa e aguardar o andamento do processo que Maria Aparecida move contra a empresa, com base no Código de Defesa do Consumidor.

"Minha dívida não está quitada. Ainda pretendo receber R$ 220 mil pela morte de meu ex-marido", afirmou Maria Aparecida. O valor pleiteado equivale a 8,5% do que seu ex-marido, que tinha 54 anos quando morreu, receberia até completar 65 anos.
Maria Aparecida afirma que o valor pago é pouco, mas que isso a ajudará a enfrentar a crise financeira que vive desde a morte de Arthur. "É pouco, mas vai me aliviar bem."

Regina Marilia Prado Manssur, advogada de Maria Aparecida, disse esperar que sua cliente receba todo o dinheiro a que tem direito dentro de um ano. O prazo é questionável, segundo outros advogados que representam parentes de vítimas do acidente ouvidos pela Folha.

Maria Aparecida, no entanto, crê que o caminho jurídico escolhido é o mais adequado. "Não sei quanto tempo vai levar, mas estou acreditando na Justiça brasileira."

A TAM garantiu que pagaria indenização a todas as vítimas do acidente. O seguro é de US$ 400 milhões. Porque então recorreram? E a palavra do Comandante Rolim e da empresa? Tudo marketing?

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20 famílias aceitaram acordo

da Reportagem Local

O pagamento a Maria Aparecida Locatelli Gasparian será o 21º feito pela TAM a parentes de vítimas do acidente com seu Fokker-100, pelas contas da empresa. A diferença é que as outras 20 indenizações foram feitas por acordo entre familiares da vítima e a companhia.

Assim, parentes de 20 vítimas já teriam recebido os R$ 150 mil oferecidos pela empresa e dado como quitadas suas dívidas com a TAM.

De acordo com a assessoria de imprensa da TAM, familiares de outras três vítimas estariam interessados no pagamento, mas ainda não conseguiram reunir os documentos necessários.

O seguro obrigatório, a que todo passageiro tem direito quando adquire a passagem, também já foi pago, mas apenas às 25 famílias de vítimas que o requisitaram. Ele estava avaliado em cerca de R$ 15 mil à época do desastre.

O pagamento do seguro, de acordo com a TAM, não implica o abandono de qualquer direito por parte dos familiares.

Sobre a sentença do TJ, a TAM informou que irá pedir ao tribunal que esclareça os fundamentos de sua decisão. (RV)


 

São Paulo, quinta, 16 de julho de 1998

Empresa recorrerá da decisão que exige pagamento de R$ 1.560 ao mês a parente

Justiça obriga TAM a pagar indenização

RODRIGO VERGARA
da Reportagem Local

Um ano e sete meses depois da queda do Fokker-100 da TAM, no Jabaquara, em São Paulo, que matou 99 pessoas, a Justiça proferiu ontem a primeira sentença obrigando a empresa aérea a indenizar um parente de vítima do acidente.
A sentença, porém, permite recurso, e a TAM já adiantou, ontem, que recorrerá.

A decisão judicial obriga a empresa a pagar 12 salários mínimos (R$ 1.560) mensais até o final da vida de Maria Aparecida Locatelli Gasparian. Ela é ex-mulher de Arthur Eduardo Gasparian, morto no acidente aos 50 anos.

Quando era vivo, Arthur destinava 8,5% de seus rendimentos a Maria Aparecida. A indenização corresponde a 8,5% do que ele receberia até os 65 anos, divididos em parcelas mensais.

A advogada Regina Marília Prado Manssur, que representa Maria Aparecida, disse que irá pedir a tutela antecipada do valor, para evitar que um recurso da TAM adie o início dos pagamentos. "Minha cliente corre risco de saúde devido à suspensão dos pagamentos que seu marido fazia regularmente."

A indenização de ontem é o segundo capítulo que Maria Aparecida inaugura na disputa judicial de familiares de vítimas com a TAM. Em abril, ela havia sido a primeira parente da vítima a receber alguma quantia da empresa aérea (R$ 12.750).
O valor correspondia a 8,5% dos R$ 150 mil que a TAM admita pagar por vítima do acidente. A diferença é que Maria Aparecida conseguiu, na Justiça, receber esse dinheiro sem ter que assinar nenhum documento dando como quitada sua dívida com a TAM.

Ao contrário dela, familiares de 20 vítimas aceitaram os R$ 150 mil, assinaram o documento e não terão direito a nenhuma indenização a mais.

Ação coletiva

Outra ação referente ao acidente teve novidades ontem. Na 2ª Vara Cível do Fórum do Jabaquara, o promotor Luis Antonio Sampaio Arruda deu parecer contrário à ação de famílias de vítimas do desastre contra duas empresas norte-americanas que fabricaram peças do avião acidentado.

O parecer foi comemorado pelos parentes, que pretendem acionar as duas empresas nos EUA mas primeiro têm que "testar" a eficácia da Justiça brasileira.

Diante de tais intenções, o promotor optou por sugerir o arquivamento da ação. Ele que a lei brasileira possibilita que os direitos sejam pleiteados no exterior. "O promotor está coberto de razão", disse Renato Guimarães, advogado de alguns familiares.

RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM 01/11/1996

O comandante Rolim Adolfo Amaro, fundador e presidente da TAM, chegou nesta sexta-feira (1) a São Paulo às 6h30, depois de pilotar quase a noite inteira seu jato Cessna Citation, vindo do Caribe. Às 15h, ele concedeu entrevista coletiva no aeroporto de Congonhas e afirmou que vai indenizar todas as vítimas que estavam a bordo do Fokker 100 sem que seja necessário qualquer iniciativa legal por parte das famílias.


São Paulo, sexta, 30 de outubro de 1998

Famílias entram hoje na Justiça contra TAM

Cerca de 80 famílias das vítimas da queda do vôo 402 da TAM devem entrar hoje na Justiça com pedidos de indenização contra a empresa, um dia antes dos dois anos do acidente que provocou a morte de 99 pessoas em São Paulo. Esse é o prazo final para apresentação de ações. Os pedidos variam de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões.

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