São Paulo, quarta, 05 de novembro de 1997.
PERIGO NO AR
Valor cobriria eventuais indenizações a famílias de vítimas
Seguradora da TAM quer receber US$ 115 mi da Fokker por vôo 402
das agências
internacionais
A seguradora da TAM está pedindo US$ 115
milhões à Fokker pelo acidente ocorrido
com o vôo 402, há um ano. Segundo a TAM,
a iniciativa é da Lloyds, de Londres,
para se prevenir de eventuais
indenizações que tenha de pagar.
A Lloyds funciona como resseguradora da TAM, isto é, assume responsabilidades junto com a Unibanco, seguradora original.
Os US$ 115 milhões constam de lista de credores apresentada ontem, na Holanda, pelos atuais administradores da Fokker. A empresa faliu em março e a Justiça está levantando todos suas dívidas já existentes ou futuras.
Segundo Jan Koetsier, que se identificou como advogado da TAM na Holanda, é a companhia brasileira que aparece como credora da Fokker. No Brasil, a TAM diz que ele trabalha para a Lloyds.
A TAM estaria responsabilizando a Fokker pelo desastre, em que morreram 99 pessoas. Koetsier admite que o relatório final sobre o caso ainda não saiu, mas acrescentou: "Não dependemos só dessas investigações, pois também temos nossas próprias informações".
A TAM participa com seis funcionários da comissão de investigação montada pela Aeronáutica, que ainda não divulgou publicamente suas conclusões. O valor pedido teria como base o que foi pago às vítimas do acidente e a estimativa sobre o que ainda será pago em novos processos.
Por enquanto, a TAM só sofre dois processos, no Brasil, que estão na fase inicial. A companhia oferece R$ 145 mil às famílias que se comprometam a não exigir na Justiça mais direitos relativos ao acidente. Segundo a TAM, 18 famílias -que não identifica- fizeram esse acordo.
A TAM ressalta que essa indenização é quase dez vezes o valor fixado pelo Código Brasileiro do Ar.




